Por que tanta gente ainda consulta o horóscopo?
Mercado bilionário persiste com base em técnicas psicológicas, não em evidências empíricas que possam ser comprovadas
Por que a astrologia continua conquistando adeptos em 2026, movimentando um mercado global avaliado em $12,8 bilhões em 2020, com projeção de crescimento para $22,8 bilhões até 2030? Pelo menos neste sentido… funciona.
O interesse persiste apesar de estudos científicos demonstrarem a falta de qualquer fundamento real para suas práticas — desde análises de compatibilidade entre casais até previsões sobre eventos políticos e pessoais.
Segundo o jornalista Carlos Orsi, em seu livro What Science Says About Astrology, resenhado no Psychology Today, uma pesquisa envolvendo dez milhões de casais não encontrou qualquer efeito astrológico na compatibilidade entre parceiros.
Outros estudos revelam que indivíduos nascidos no mesmo momento e local não compartilham personalidades similares, e horoscópios baseados no mesmo mapa astral variam dramaticamente de um astrólogo para outro.
O ressurgimento moderno de uma prática antiga
A astrologia enfrentou perseguição histórica. Santo Agostinho (354-430) atacou a prática em sua obra Cidade de Deus, questionando como Deus poderia exercer julgamento se uma “necessidade celestial” determinasse os atos humanos. Com a ascensão do cristianismo no Império Romano, práticas pagãs foram estigmatizadas e, frequentemente, punidas com morte.
No século XX, porém, astrólogos reposicionaram sua oferta. Abandonaram previsões sobre o futuro e passaram a oferecer “análise de caráter e aconselhamento psicológico” baseados nas posições de planetas, sol e lua no momento exato do nascimento. Essa transformação converteu a astrologia em fenômeno de massa.
Por que prospera sem comprovação científica
De acordo com Orsi, a permanência da astrologia resulta menos de sua validade científica e mais de mecanismos psicológicos bem conhecidos.
Pessoas tendem a reconhecer-se em análises genéricas que misturam traços admiráveis com alguns indesejáveis — fenômeno conhecido como efeito Barnum ou Forer.
Definido como “falácia da validação”, é um viés cognitivo que induz as pessoas a considerarem corretas e precisas as descrições de suas personalidades, ainda que, que na verdade, sejam informações vagas e genéricas bastante para um grande número de pessoas.
Mesmo céticos julgam relatórios favoráveis como precisos e desenvolvem atitudes mais positivas em relação à prática.
Astrólogos experientes dominam técnicas interpessoais sofisticadas: aparecem confiantes, adaptam comentários ao perfil do cliente, ouvem atentamente, formulam perguntas disfarçadas de afirmações e demonstram empatia dramática. Essas habilidades, mais que qualquer poder celestial, explicam a lealdade dos clientes.
Orsi questiona argumentos de que astrologia funciona como “mito terapêutico”. Ao desvalorizar lógica e pensamento crítico em favor de pronunciamentos arbitrários sobre “dias e horas favoráveis”, a prática deixa pessoas vulneráveis a manipulação e ilusões que podem orientar decisões sobre saúde, finanças e relacionamentos.
Astrologia “pertence agora a museus e livros de história, não a nossas vidas diárias”, conclui Orsi.
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