Renan Santos na Faria Lima: “Barba de Bukele, cabelo de Milei”
Pré-candidato presidencial do Missão provoca plateia de executivos do mercado dizendo que a Faria Lima segue endossando o bolsonarismo
Já faz algumas semanas que Renan Santos (ao centro na foto), pré-candidato à Presidência pelo Missão e fundador do MBL, vem sendo convidado para encontros na Faria Lima.
Ele adota uma estratégia de choque nessas visitas, inspirada (segundo diz) no roqueiro Sid Vicious, que foi vocalista da banda punk Sex Pistols: “Melhor provocar uma reação do que reagir a uma provocação”.
O objetivo é arrancar um público esmagadoramente antipetista do seu sono dogmático, ou seja, da crença de que só o bolsonarismo pode impedir a reeleição de Lula para um quarto mandato.
Provocações
Renan enfrentou uma sabatina na Genial Investimentos nesta quarta-feira, 10. Provocou a plateia de executivos do mercado financeiro dizendo que a Faria Lima endossou e continua endossando o bolsonarismo, mesmo depois de medidas do último ano de governo mostrarem que o compromisso de Jair Bolsonaro com a responsabilidade fiscal era “uma farsa”.
Ele também apontou as ligações de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e com personagens como Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, preso sob a suspeita de trabalhar com o Comando Vermelho (CV).
Segundo Renan, “votar no Flávio é voltar em ligado ao CV” – e a elite financeira teria o dever de levar isso em conta. “Não existe meio gângster”, disse ele.
Antipetismo
A terceira parte da tática de comunicação de Renan é lembrar que suas credenciais antipetistas são sólidas, uma vez que o MBL trabalhou bastante pelo impeachment de Dilma Rousseff.
Por fim, ele diz que sua persona eleitoral tem “o cabelo de Milei e a barba de Bukele”.
Além de elogiar o estilo confrontacional dos dois presidentes latino-americanos, ele indica com isso que ajuste econômico e combate ao crime serão os pilares da sua campanha.
“Você não guarda capital político em banco, você gasta”, diz ele. “Eu vou gastar o meu resolvendo a questão fiscal e destruindo o crime organizado logo de largada.”
Promessas
Para atacar o primeiro problema, ele promete medidas como um corte de 50% nas emendas parlamentares, a desindexação de gastos atrelados ao salário mínimo e privatizações (embora não da Petrobras, que considera estratégica).
O candidato disse que seu ministro da economia deve ser fiscalista e ter capacidade de execução política. Como exemplos, citou os nomes do deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), seu companheiro de partido; do investidor João Landau, da Vista Capital; e do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles.
Sua receita contra o crime é modificar o ordenamento jurídico e adotar o “direito penal do inimigo”, que flexibiliza os direitos fundamentais de pessoas ligadas ao crime organizado ou ao terrorismo.
A plateia aplaudiu Renan Santos e pareceu receptiva ao seu discurso. Mas ele sabe que precisa ganhar musculatura eleitoral para que os aplausos virem votos.
A sabatina coincidiu com a divulgação de mais uma rodada da pesquisa Genial/Quaest, que traz uma boa notícia para o candidato: ele aparece à frente de nomes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, ambos recém-saídos de mandatos de governador.
A má notícia é que, com 3% de intenção de voto no primeiro turno, ele continua muito longe de Flávio Bolsonaro, que marcou 38% (contra 42% de Lula).
Renan não desdenha dos números. Sabe, por exemplo, que precisa fazer alianças que lhe deem tempo de televisão durante a campanha, se quiser tornar seu nome conhecido nacionalmente.
Mas não é do seu estilo admitir a hipótese de que possa ficar fota do segundo turno. Ele diz que vai superar os outros nomes da direita. Por quê? “Porque sou um líder melhor do que eles.”
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