Zema vê “algum tipo de censura” em suspensão de pesquisa sobre Flávio
Ex-governador mineiro defendeu divulgação de pesquisas com metodologia transparente e lamenta "censura" de AtlasIntel
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo-MG) criticou nesta quarta-feira, 10, a suspensão da pesquisa AtlasIntel que mostrou a queda de intenções de voto para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a revelação das mensagens que expuseram o patrocínio do filme Dark Horse pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Na avaliação do político mineiro, “houve algum tipo de censura” na decisão.
“Pesquisas são conduzidas com critério, me parece que é algo que foi bem nessa linha. Eu vejo que pesquisa tem critérios e ela sendo publicada com os critérios, ela vai ser interpretada dentro desses critérios. Então, pesquisas são feitas para informação, para espelhar aquilo que o público está percebendo naquele momento. E desde que ela explicite os critérios, qualquer um pode até questionar a pesquisa, considerando aqueles critérios. Agora, proibir a publicação da pesquisa, me parece, caracteriza censura”, disse em entrevista à Jovem Pan.
A liminar de Nunes Marques
Em decisão liminar, o ministro Nunes Marques, presidente do TSE, considerou que há suspeitas de indução ao eleitor, por causa da exibição do áudio de uma mensagem enviada por Flávio a Vorcaro.
O CEO do instituto, Andrei Roman, já esclareceu, contudo, que a mensagem só foi mostrada depois de a pesquisa ter sido respondida, sem possibilidade de mudança das respostas.
“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com os questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, diz Nunes Marques em sua decisão, despachada por provocação do PL.
Metodologia
Nunes Marques argumentou em sua decisão que o instituto induziu o eleitor a dar respostas desfavoráveis a um dos candidatos.
Segundo ele, outras 27 pesquisas feitas pelo instituto não apresentaram questionários com perguntas semelhantes ao teor da pesquisa questionada, e nem veicularam áudio para consulta.
O ministro destaca ainda que o “CEO da AtlasIntel Tecnologia de Dados Ltda., em entrevista veiculada na CNN Brasil em 19 de maio de 2026, reconheceu o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados e externou juízo valorativo acerca do potencial de desgaste eleitoral do pré-candidato mencionado na representação”.
“Na ocasião, afirmou que o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro seria ‘muito problemático para a imagem’ do pré-candidato e revelaria ‘fatos extremamente graves’, capazes de comprometer ‘a viabilidade dele neste ciclo eleitoral e a permanência dele na corrida’, defendendo, ainda, a formulação das perguntas que associavam grupos políticos ao denominado ‘esquema de fraudes
financeiras do Banco Master’”, segue Nunes na decisão.
Pedido de vista
Na terça, 9, a ministra Estela Aranha interrompeu o julgamento da liminar e pediu vista do processo.
Antes dela, o relator Kassio Nunes Marques havia votado para manter a suspensão da divulgação da pesquisa.
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