Libélulas gigantes dominaram a Terra em uma atmosfera tão rica em oxigênio que insetos desse tamanho não sobreviveriam hoje
Os fósseis dos maiores insetos já registrados intrigam pesquisadores há décadas e ajudam a entender como limites físicos, químicos e ecológicos moldam a evolução
Os fósseis dos maiores insetos já registrados intrigam pesquisadores há décadas e ajudam a entender como limites físicos, químicos e ecológicos moldam a evolução.
Entre esses gigantes está Meganeuropsis permiana, um predador voador do Permiano, com envergadura de cerca de 71 centímetros, que viveu em um mundo sem aves, morcegos ou pterossauros, sob uma atmosfera muito diferente da atual.
Qual foi o maior inseto conhecido pela ciência?
O maior inseto geralmente reconhecido é Meganeuropsis permiana, pertencente ao grupo extinto Meganisoptera, as “griffinflies”. Ele lembrava uma libélula moderna, mas não integrava o grupo atual Odonata, sendo um parente basal na árvore evolutiva dos insetos alados.
Fósseis indicam corpo de cerca de 40 centímetros e envergadura superior a 70 centímetros. Outro gênero próximo, Meganeura, encontrado na Europa, exibia dimensões semelhantes. Hoje, a maior libélula viva possui asas com menos de 20 centímetros, evidenciando a diferença entre a megafauna antiga e os insetos atuais.
The largest insect that ever existed was a dragonfly called Meganeuropsis permiana. This insect lived during the late Permian era, about 275 million years ago. These dragonflies had a wingspan close to 30 in. or 2.5 ft (75 cm) with an estimated weight of over 1 pound (450 g) pic.twitter.com/mGmxEP4r8P
— SubRosa )✿( Magick @subrosamagick.bsky.social (@SubRosaMagick) August 2, 2023
Por que existiram insetos tão grandes no passado?
Insetos respiram por um sistema de traqueias, que distribui oxigênio por difusão diretamente aos tecidos. Esse mecanismo funciona melhor em corpos pequenos, mas pode chegar a limites físicos quando o tamanho aumenta e o caminho do gás se torna mais longo e ineficiente.
No final do Carbonífero e início do Permiano, a atmosfera tinha cerca de 30% a 35% de oxigênio, contra aproximadamente 21% hoje.
Esse ar mais rico em oxigênio e ligeiramente mais denso permitiu que insetos com traqueias simples alcançassem tamanhos muito maiores, algo reforçado por experimentos com insetos modernos em atmosferas hiperóxicas.
Que fatores ecológicos favoreceram o gigantismo de insetos?
Além da atmosfera permissiva, o contexto ecológico era crucial. Durante boa parte do tempo em que esses insetos gigantes voaram, praticamente não havia vertebrados voadores, como aves, morcegos ou pterossauros, competindo pelos mesmos recursos aéreos.
Em céus pouco disputados, um corpo maior podia significar vantagem para capturar presas, explorar longas distâncias e ocupar nichos ainda vazios. Menos predadores aéreos velozes também reduziam o custo de ser grande e menos manobrável, o que ajudou essas espécies a prosperar por milhões de anos.
Por que não existem insetos gigantes hoje?
Comparações de milhares de fósseis de asas mostram que o tamanho máximo acompanhou, em geral, as variações de oxigênio. Porém, do fim do Jurássico em diante, mesmo com novos picos de oxigênio, os insetos não voltaram ao gigantismo antigo, sugerindo a ação de outros fatores limitantes.
Com o surgimento e a diversificação de aves e, depois, de morcegos, o céu se encheu de predadores altamente manobráveis. Nesse cenário, ser menor e ágil virou vantagem. Mudanças na densidade do ar também aumentaram o custo energético do voo em corpos grandes, reforçando a tendência a insetos de menor porte.

Quais questões sobre o gigantismo de insetos a ciência ainda discute?
Pesquisadores investigam se a limitação de tamanho se deve principalmente ao transporte de oxigênio ou a um conjunto mais amplo de fatores. Alguns estudos mostram que as estruturas que levam oxigênio aos músculos de voo não crescem tanto quanto se esperava em insetos maiores, o que coloca em dúvida explicações simplistas.
A visão mais aceita hoje é que o gigantismo de insetos foi multicausal, envolvendo fatores atmosféricos, ecológicos e fisiológicos, como os listados a seguir.
Uma atmosfera densa no início do Mesozoico que gerava maior força de sustentação aerodinâmica para asas de grande envergadura.
Ausência de outros grandes vertebrados no ar durante o Triássico, permitindo a ocupação de nichos ecológicos sem pressões de fuga.
O surgimento e a diversificação de aves primitivas que passaram a disputar ativamente os mesmos recursos alimentares e espaços.
Abandono de tamanhos pequenos devido à agilidade das aves, empurrando os últimos pterossauros para tamanhos gigantescos.
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