Dois jovens designers suíços podem ter encontrado uma resposta simples para um dos maiores problemas das cidades modernas: o calor extremo. Andrin Stocker e Luc Schweizer criaram o Blocº, um tijolo modular de terracota impresso em 3D capaz de resfriar o ar em até 9 graus Celsius sem usar ar condicionado, sem gases refrigerantes e sem depender da rede elétrica.
Como um tijolo consegue resfriar o ar em até 9 graus
O segredo do Blocº está na evaporação da água. A terracota é um material poroso que absorve e retém umidade. Quando o ar quente passa pela estrutura úmida, parte da água evapora e absorve o calor do ambiente, gerando um efeito de resfriamento muito semelhante ao dos antigos climatizadores evaporativos usados em climas secos.
Segundo seus criadores, o sistema pode reduzir a temperatura ambiente em até 16 graus Fahrenheit (cerca de 9°C) em condições climáticas favoráveis. Cada módulo também incorpora pequenos ventiladores movidos a energia solar para melhorar a circulação do ar, e o projeto permite a coleta de água da chuva para reutilização no próprio processo de resfriamento.
Absorção de umidade pela terracota reduz naturalmente a temperatura local.
De onde vem a ideia por trás do Blocº
O projeto foi desenvolvido na Universidade de Artes de Zurique (ZHdK) e tem raízes em técnicas de construção com séculos de história. Torres de vento, construções de barro e outros métodos de resfriamento passivo usados em climas quentes serviram de inspiração direta para os designers.
A proposta não é substituir o ar condicionado, mas repensar como o mobiliário urbano pode tornar as cidades mais habitáveis durante ondas de calor. A diferença central: enquanto o ar condicionado tradicional consome energia elétrica e lança calor para fora dos edifícios, o Blocº funciona sem emissões e sem custo energético significativo.
Quanto tempo leva para construir com essa tecnologia
Os criadores ainda não divulgaram um prazo definitivo para construções completas com o Blocº, mas experiências anteriores com tijolos de terracota impressos em 3D dão uma boa referência. Um pavilhão experimental com mais de 2.000 tijolos produzidos nesse formato teve todas as peças fabricadas em apenas três semanas, com montagem concluída em cerca de 10 dias. Cada tijolo exigiu entre dois e três minutos de impressão.
Especialistas no setor indicam que o processo completo, incluindo impressão, secagem, queima e controle de qualidade, geralmente leva de três a seis semanas para projetos personalizados. Ainda assim, a fabricação digital e modular tem potencial para acelerar significativamente a instalação em espaços urbanos em comparação com soluções convencionais.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Engenharia Detalhada mostrando a diferença entre o uso de blocos e tijolos na construção.
Onde o Blocº pode ser instalado nas cidades
Por enquanto o Blocº é um protótipo, mas seus desenvolvedores já têm destinos concretos em mente. Os locais prioritários para testes em escala real incluem:
Pontos de ônibus e paradas de transporte público
Praças e áreas de pedestres com alto fluxo de pessoas
Pátios de escolas expostos ao sol
Espaços urbanos onde o calor afeta diariamente milhares de pessoas
Por que essa invenção pode mudar o futuro das cidades
O Blocº chega em um momento em que as ondas de calor urbano se tornaram uma crise de saúde pública em diversas regiões do mundo. Uma solução que resfria o ambiente sem consumir energia elétrica e sem infraestrutura complexa representa exatamente o tipo de inovação que cidades superlotadas e superaquecidas precisam com urgência.
Se os testes em escala real confirmarem o desempenho prometido, um tijolo inspirado em técnicas ancestrais e fabricado com impressão 3D pode se tornar parte da paisagem urbana das próximas décadas. Às vezes, o futuro das cidades inteligentes não está nas telas ou nos algoritmos, mas em algo tão simples quanto barro, água e criatividade.
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