O país africano onde não há caixas eletrônicos, redes sociais são bloqueadas e até sair da capital exige autorização do governo

25.06.2026

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O país africano onde não há caixas eletrônicos, redes sociais são bloqueadas e até sair da capital exige autorização do governo

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Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 10.06.2026 12:13 comentários
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O país africano onde não há caixas eletrônicos, redes sociais são bloqueadas e até sair da capital exige autorização do governo

O país expõe um contraste raro entre isolamento político, ausência de modernidade digital e uma vida social profundamente presencial

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O país africano onde não há caixas eletrônicos, redes sociais são bloqueadas e até sair da capital exige autorização do governo
Nação africana mantém rígido controle político e severo isolamento global.

Imagine um país onde não existem caixas eletrônicos, as redes sociais são bloqueadas e sair da capital exige uma autorização especial do governo. Bem-vindo à Eritreia, uma nação no chifre da África que desafia qualquer expectativa e revela um modo de vida radicalmente diferente de tudo que o mundo moderno conhece.

Por que a Eritreia é chamada de “Coreia do Norte da África”

A comparação não é exagerada. A Eritreia é governada desde sua independência, em 1991, pelo presidente Isaias Afwerki, à frente de um Estado de partido único com controle rígido sobre a população. Não há imprensa livre, as redes sociais são restritas e o serviço militar pode durar por tempo indeterminado. Turistas enfrentam exigências severas de visto e precisam de autorizações separadas para circular em qualquer área fora da capital, Asmara.

A burocracia começa já na chegada. No aeroporto, o processo de visto pode consumir mais de duas horas, incluindo contratempos como impressoras quebradas e autorizações provisórias emitidas para o dia seguinte. O isolamento não é apenas político, é logístico e cotidiano.

Governo centralizado impõe severas restrições cotidianas sobre toda a população.

Uma capital congelada no tempo com sotaque italiano

Asmara guarda marcas profundas da colonização italiana, visíveis na arquitetura modernista, nos cafés e até em uma antiga pista de boliche que opera sem nenhum sistema eletrônico. A pontuação é anotada à mão, as bolas têm apenas um furo e crianças recolocam os pinos manualmente após cada jogada, como se o lugar fosse uma cápsula dos anos 1950.

O café é um dos maiores legados dessa herança. O macchiato de Asmara é considerado por viajantes como um dos melhores do mundo, resultado da fusão entre a tradição italiana e a proximidade com a Etiópia, berço histórico da bebida. Nas ruas, a vida social acontece em espaços físicos, sem mediação digital, com conversas, jogos e convivência como centro do cotidiano.

Leia também: A bicicleta anfíbia construída com metal descartado que anda na estrada, cruza rios e transforma sucata em engenharia sustentável

Como é viver sem internet, cartão de crédito ou aplicativo de pagamento

A Eritreia funciona quase inteiramente em dinheiro vivo. Para acessar a internet, é preciso ir a um cyber café, comprar um cartão com senha e lidar com uma conexão tão lenta que enviar um e-mail pode levar vários minutos. Confira o que simplesmente não existe no país:

Recurso / Serviço Status / Contexto
Caixas eletrônicos Disponíveis ao público em geral.
Cartões de crédito ou débito Aceitos normalmente no comércio.
Aplicativos de pagamento Sistemas de transferências e pagamentos bancários comuns no dia a dia.
Redes sociais Plataformas de livre acesso para a população.
Hipotecas e empréstimos Disponibilizados nos moldes e padrões ocidentais.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Drew Binsky visitando o país mais estranho do mundo.

O interior que nenhum turista costuma ver

Fora de Asmara, a Eritreia revela sua face mais humana. Em aldeias rurais no caminho para Keren, a segunda maior cidade do país, moradores vivem sem água corrente e sem internet, em casas simples com energia solar, numa rotina centrada na família, na religião e no trabalho manual. Em uma dessas aldeias, a aldeia de Halibent, um menino de 11 anos chamado Abdul Majid surpreende ao afirmar falar sete idiomas, incluindo inglês, italiano e árabe, aprendidos por aplicativos offline instalados em seu celular, sem nunca ter acessado a internet.

Em Keren, o viajante acessa um imenso mercado rural de camelos, burros e gado, normalmente fechado a turistas. Homens reunidos no alto do mercado tomam chá, comem amendoim e observam os animais, enquanto cada um prepara sua própria receita de chá, um detalhe que resume bem a riqueza cultural preservada nessas comunidades.

A Eritreia que fica depois da viagem

O que surpreende qualquer viajante que consegue entrar na Eritreia não é o isolamento, é a hospitalidade. Moradores convidam estranhos para tomar café, entrar em suas casas, provar comida caseira e participar de casamentos. Um eritreu que vive nos Estados Unidos descreve as visitas ao país como uma forma de desintoxicação das redes sociais. Outro morador resume: “A Eritreia talvez não seja uma sociedade extravagante, mas a paz é a coisa mais importante.”

A Eritreia é um lugar de contradições reais: politicamente fechado, mas socialmente aberto; sem modernidade digital, mas rico em humanidade. Para quem busca entender o mundo além das telas, poucos destinos oferecem um contraste tão honesto e tão impactante quanto esse país que o mapa quase esqueceu.

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