O curioso motivo que leva babuínos a permanecerem lado a lado durante suas jornadas
Os babuínos-chacma do Cabo da Boa Esperança chamam atenção quando se deslocam em fila pela península rochosa
Os babuínos-chacma do Cabo da Boa Esperança chamam atenção quando se deslocam em fila pela península rochosa. Alguns quase sempre seguem à frente, outros ao centro ou na retaguarda, repetindo posições dia após dia. À distância, essa regularidade parece indicar liderança, proteção ou hierarquia.
O que são progressões de deslocamento de babuínos?
Progressões de deslocamento de babuínos descreve deslocamentos coordenados de um grupo em direção a água, alimento ou áreas de descanso. Pesquisadores da Universidade de Swansea monitoraram, com GPS de alta resolução, uma tropa de babuínos-chacma na Península do Cabo.
Foram registradas dezenas de progressões ao longo de pouco mais de um mês. O objetivo foi testar se a ordem da fila refletia risco de predação, competição por recursos, liderança na navegação ou, sobretudo, padrões da estrutura social do grupo.

As progressões de deslocamento de babuínos são estratégias de proteção?
Uma hipótese clássica em comportamento animal prevê indivíduos frágeis protegidos no centro, com adultos fortes na dianteira e na retaguarda. Aplicada aos babuínos, esperava-se ver filhotes e fêmeas com cria no miolo da fila, cercados por machos dominantes.
No grupo estudado, idade, sexo e vulnerabilidade não previram de forma consistente a posição na fila. Também não surgiu evidência robusta de indivíduos que liderassem sistematicamente o trajeto, enfraquecendo a ideia de uma formação desenhada para maximizar proteção.
O que significa a ideia de “spandrel social” em babuínos?
O conceito de spandrel vem da arquitetura: espaços triangulares que surgem como subprodutos inevitáveis entre arcos e teto. Na biologia evolutiva, o termo designa características que aparecem como consequência de outras adaptações, e não como alvos diretos da seleção.
Nas progressões de deslocamento de babuínos, a ordem da fila é proposta como um “spandrel social”. Em vez de refletir defesa ou comando, ela seria a forma geométrica assumida por laços de afinidade quando o grupo se move, isto é, amigos caminhando juntos de modo recorrente.

Como as relações de amizade afetam bem estar em babuínos?
Projetos de longo prazo, como o de Amboseli, mostram que fêmeas com laços fortes vivem mais e criam mais filhotes. Esses vínculos são medidos por grooming, proximidade espacial e apoio em conflitos, indicadores de redes sociais estáveis.
No estudo do Cabo, os indivíduos caminhavam próximos de parceiros com quem descansavam e forrageavam. De forma resumida, a fila pode ser vista como:
Quais são os limites do estudo e seus desdobramentos
Os dados vêm de uma única tropa em um ambiente específico, com predadores, relevo e recursos particulares. Não se sabe ainda se o mesmo padrão se repete em outras espécies de babuínos ou em habitats mais perigosos ou mais previsíveis.
Um traço que surge como subproduto pode mais tarde ganhar função adaptativa. Assim, embora o estudo mostre que a ordem não é aleatória e é amplamente explicada por estrutura social, permanece em aberto se, em outros contextos, a fila também oferece benefícios diretos de proteção ou coordenação.
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