“A polícia paga uma merreca”, diz investigador preso sob suspeita de tráfico de drogas
Investigação aponta que agentes desviavam drogas apreendidas, negociavam com traficantes e avisavam criminosos sobre operações policiais; esquema levou à prisão de um delegado e dois investigadores na Paraíba
Um investigador da Polícia Civil da Paraíba suspeito de desviar drogas apreendidas para abastecer facções criminosas foi preso após uma investigação revelar conversas nas quais ele afirmava que o salário pago pelo Estado era insuficiente. Em um dos áudios obtidos pelas autoridades, Everton Aires, conhecido como “Bomba”, declara que “a polícia paga uma merreca” e sugere que obtinha rendimentos muito superiores por meio de atividades paralelas.
As suspeitas vieram à tona em uma investigação exibida pelo Fantástico, da TV Globo, que teve acesso a gravações nas quais policiais tratam o tráfico de drogas como uma atividade comercial. Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil da Paraíba, parte dos entorpecentes apreendidos em operações deixava de seguir para os procedimentos legais e era revendida a traficantes.
De acordo com a apuração, o grupo também mantinha contato com integrantes de facções criminosas e teria repassado informações sigilosas para ajudar foragidos a escapar de ações policiais.
Além de Bomba, foram presos o delegado Braz Morroni e o investigador Eduardo Jorge, conhecido como “Mão Branca”. Os três são apontados como integrantes de uma organização que teria transformado a estrutura policial em uma rede de apoio ao crime organizado.
A investigação aponta ainda que, nos últimos cinco anos, Everton Aires movimentou mais de 4 milhões de reais, valor considerado incompatível com sua remuneração como policial civil. Em outra gravação, ele chega a comparar a venda de drogas à comercialização de qualquer outro produto, afirmando que o tráfico funcionava como um “negócio”.
Ao todo, nove pessoas foram presas na operação realizada pelo Gaeco e pela Polícia Civil da Paraíba. As defesas dos investigados negam as acusações e afirmam que a inocência dos envolvidos será demonstrada ao longo do processo.
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Comentários (1)
Rosa
08.06.2026 13:08Muda de emprego, oras!