O super navio de cargas voltou a impressionar o mundo: após cruzar o planeta com uma ponte de 3.700 toneladas, agora transporta cinco gruas gigantes de mais de 80 metros
Ponte de 3.700 toneladas e gruas de 80 metros no mesmo navio gigante
O Zhen Hua 33, navio semissubmersível de bandeira chinesa operado pela estatal ZPMC, atracou no Porto de Las Palmas, nas Ilhas Canárias, para reabastecer com 2.600 toneladas de combustível pesado e mais 540 toneladas de diesel. A bordo: cinco gruas de pórtico com mais de 80 metros de altura, fabricadas na China e destinadas ao porto egípcio de Damietta. A rota alternativa, que evita o Canal de Suez, é reflexo direto da crise geopolítica no Mar Vermelho.
O que é o Zhen Hua 33 e por que ele chama tanta atenção?
Construído em 2017 no estaleiro da ZPMC em Nantong, na China, o Zhen Hua 33 é o maior navio semissubmersível de propulsão própria da sua categoria. Com 227 metros de comprimento, 43 metros de boca e convés livre de 185 por 43 metros, o equivalente a dois campos de futebol, ele consegue afundar parcialmente para que equipamentos gigantes flutuem diretamente sobre o seu convés, e depois ergue tudo junto ao se desafogar.
A capacidade de carga chega a 50.000 toneladas, o navio alcança 14 nós de velocidade e tem autonomia de 18.000 milhas náuticas. Já transportou plataformas de petróleo, módulos de usinas e até outros navios. Em 2020, ficou famoso ao cruzar o planeta levando a ponte Guldbron, de 140 metros e 3.700 toneladas, da China até Estocolmo, na Suécia, para o projeto de reurbanização do distrito de Slussen.

Quais são os números que mostram a escala desta viagem?
A operação em Las Palmas reuniu dados que mostram bem o porte do Zhen Hua 33 e da missão que ele carrega. Os pontos principais são:
Por que o Canal de Suez está sendo evitado por tantos navios?
Desde o fim de 2023, os ataques de rebeldes Houthi do Iêmen a navios comerciais no Mar Vermelho provocaram uma das maiores reorganizações de rotas marítimas das últimas décadas. Segundo dados da UNCTAD, a agência de comércio da ONU, o trânsito semanal pelo Canal de Suez caiu 42% nos primeiros meses da crise, e a receita do canal despencou de US$ 10,3 bilhões em 2023 para apenas US$ 4 bilhões em 2024. O número de navios que cruzaram o canal em 2024 foi 50% menor do que no ano anterior.
Como alternativa, grandes armadores e operadores de carga especial passaram a contornar o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança, rota que adiciona entre 10 e 14 dias à viagem e aumenta o consumo de combustível, mas elimina o risco de ataques. O Porto de Las Palmas, bem posicionado no Atlântico, passou a funcionar como ponto de parada estratégico para reabastecimento e descanso de tripulações nessa nova geografia marítima.

Como se comparam as principais cargas extraordinárias que o Zhen Hua 33 já transportou?
A passagem por Las Palmas com cinco gruas gigantes é mais uma entrada na lista de operações fora do comum do Zhen Hua 33. Veja o comparativo entre suas missões mais notáveis:
| Missão | Carga transportada | Status |
|---|---|---|
| China → Estocolmo (2020) Ponte Guldbron para o projeto Slussen | Ponte de 140 m e 3.700 t | Concluída |
| China → Damietta, Egito (2024) 5 gruas STS via Cabo da Boa Esperança e Las Palmas | 5 gruas de pórtico com mais de 80 m de altura | Em rota alternativa |
| Operações offshore regulares Plataformas de petróleo, módulos e outros navios | Até 50.000 t por missão | Contínua |
O que a escala em Las Palmas revela sobre a nova logística marítima global?
A presença do Zhen Hua 33 em Las Palmas não é um evento isolado. O Porto de Las Palmas, nas Ilhas Canárias, está registrando um aumento significativo de escalas de navios desviados do Canal de Suez desde 2023, e vem investindo em infraestrutura de reabastecimento e serviços logísticos para captar novas rotas de forma permanente. A localização no Atlântico, entre a Europa e a África, coloca o porto canário em posição privilegiada nesse novo mapa marítimo.
Para a ZPMC, operar o Zhen Hua 33 por rotas mais longas tem um custo maior, mas o desvio pelo Cabo da Boa Esperança elimina o risco real de perder uma carga de centenas de toneladas para um ataque. Com gruas que valem dezenas de milhões de dólares a bordo, a equação favorece a rota segura, mesmo que ela exija mais tempo e mais de 3.000 toneladas de combustível em reabastecimentos intermediários.
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