Arqueólogos descobriram uma cidade de 3000 anos com muralha gigante, fábrica de cerveja e vestígios de um portão monumental
Cidade de 3.000 anos com muralha e cervejaria
Uma equipe de arqueólogos egípcios trabalhava no restauro das Capelas do Sul, em Luxor, quando o que era uma operação de limpeza e documentação se transformou em uma das maiores descobertas recentes do Egito Antigo: uma cidade de cerca de 3.000 anos, com muralha colossal, fábrica de cerveja, portão de arenito e dezenas de objetos do cotidiano faraônico. O achado reforça que a região ainda guarda muito mais do que já se sabia.
Onde fica o sítio e o que motivou as escavações?
O local da descoberta é Naga Abu Asba, área próxima ao complexo de Karnak, em Luxor, no sul do Egito. A missão arqueológica não começou como uma escavação planejada para encontrar uma cidade: a equipe atuava na documentação de relevos e na consolidação de estruturas das Capelas do Sul, trabalho rotineiro de preservação que revelou, camada por camada, um conjunto urbano muito maior do que o esperado.
A dimensão dos achados surpreendeu até os especialistas. Além da área principal em Naga Abu Asba, a mesma missão identificou estruturas e objetos em Al-Asasif, na margem oeste do Nilo, ampliando o perímetro da descoberta e sugerindo que o complexo pode ter funcionado como um centro administrativo, industrial e religioso integrado.

O que foi encontrado no sítio de Naga Abu Asba?
Os achados cobrem desde grandes estruturas de defesa e culto até pequenos objetos do dia a dia. Os pontos principais são:
O que as inscrições revelam sobre quem viveu ali?
As paredes do complexo preservaram inscrições que descrevem rituais realizados pelo faraó em honra ao deus Amon, além de cenas do Heb Sed, o festival do jubileu real do faraó Tutmés III. Uma inscrição de fundação descreve o templo como “um santuário durante milhões de anos”, fórmula comum em estruturas de grande importância cerimonial no Egito Antigo.
Em Al-Asasif, a equipe também catalogou fragmentos de ostraca, que são pedaços de calcário e cerâmica usados como rascunho ou para pequenos registros administrativos, e dois selos cônicos com a inscrição “Supervisor da Casa de Khonsu”. Esses objetos ajudam a reconstruir a organização burocrática do local e mostram que a cidade tinha vida administrativa ativa, não apenas função militar ou religiosa.
Como a cerveja e o bronze revelam a função industrial do complexo?
A presença de uma grande fábrica de cerveja ao lado de fornos para fundir estátuas de bronze não é coincidência. Estruturas assim indicam que Naga Abu Asba funcionava como um polo de produção, capaz de atender tanto às demandas cotidianas da população quanto às encomendas religiosas e militares da corte. No Egito Antigo, a cerveja era tão essencial quanto o pão: servia de pagamento para trabalhadores, era oferecida nos rituais funerários e estava presente em festas e cerimônias reais. Os principais aspectos desse perfil industrial são:
- Fábrica de cerveja de grande porte, com capacidade para abastecer comunidades e rituais de templo.
- Fornos para fundição de bronze e moldes para estátuas de Osíris de diferentes tamanhos.
- Ferramentas diversas, amuletos e moedas que apontam para uma economia local ativa e diversificada.
- Oficinas variadas compatíveis com um complexo que atendia funções religiosas, administrativas e militares simultaneamente.
Por que a cerveja era tão importante no Egito Antigo?
No Egito Antigo, a cerveja era parte central da dieta e da vida cerimonial: trabalhadores que construíam monumentos recebiam rações diárias de cerveja e pão como forma de pagamento, e as oferendas nos templos incluíam o produto com regularidade. Uma fábrica do tamanho da encontrada em Naga Abu Asba sugere que o local servia um contingente grande de pessoas, o que reforça a hipótese de que a área funcionava como um centro administrativo e de abastecimento regional.
Quem se interessa por grandes descobertas da arqueologia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Olhar Digital, que conta com mais de 1.800 visualizações, onde os apresentadores mostram os detalhes da descoberta da cervejaria mais antiga do mundo no Egito:
Como os achados se comparam entre os dois sítios da mesma missão?
A missão atuou em dois locais distintos, cada um com perfis diferentes de descobertas. A tabela abaixo organiza os principais achados por área:
| Área escavada | Principais achados | Perfil do sítio |
|---|---|---|
| Naga Abu Asba Próximo ao complexo de Karnak | Muralha, portão de arenito, fábrica de cerveja, fornos de bronze, amuletos | Industrial e defensivo |
| Al-Asasif Margem oeste do Nilo, Luxor | Caixões infantis de madeira, ostraca com inscrições, selos cônicos, figuras de faiança | Funerário e administrativo |
O que essa descoberta muda sobre nossa visão do Egito Antigo?
Encontrar uma cidade com muralha colossal, portão monumental e infraestrutura industrial tão bem definida em uma região já amplamente estudada, como Luxor, mostra que o Egito Antigo ainda tem muito por revelar mesmo nos lugares mais pesquisados. O sítio de Naga Abu Asba pode ajudar a entender melhor a organização urbana e econômica de períodos menos estudados da história egípcia, que produziram cidades funcionais e complexas fora dos grandes centros conhecidos.
Os próximos passos incluem levantamentos detalhados para mapear a extensão real do complexo, análises laboratoriais dos materiais e, possivelmente, a criação de um parque arqueológico no local. Cada objeto catalogado é uma peça a mais num quebra-cabeça que tem mais de três mil anos e que o Egito ainda está montando.
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