Faesp cobra “pulso firme” do governo Lula após veto da UE à carne brasileira
Entidade critica restrições impostas pelo bloco europeu, classifica medida como discriminatória e pede reação diplomática de Brasília
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) criticou a decisão da União Europeia de barrar, a partir de 3 de setembro, a importação de carnes, mel e outros produtos de origem animal do Brasil. A entidade classificou a medida como discriminatória e cobrou uma reação mais firme do governo federal.
Em nota assinada pelo presidente da entidade, Tirso Meirelles, a federação afirmou que a restrição representa uma mudança de postura após décadas de negociações entre Mercosul e União Europeia.
“É um profundo desrespeito que, após 25 longos anos de negociações entre a União Europeia e o Mercosul, com tudo acertado e alinhado entre as partes, o bloco europeu decida mudar as regras do jogo de forma casuística”, disse.
“Cobramos um pulso mais firme em sua diplomacia comercial. O Brasil, consolidado historicamente como um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo, não pode aceitar passivamente ser alvo de retaliações geopolíticas infundadas.”
“Manobra burocrática”
A Faesp contestou a justificativa apresentada pelos europeus, que alegam falta de garantias sobre o cumprimento das regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária.
“Começam agora a surgir salvaguardas descabidas e arbitrárias, que não possuem qualquer lastro ou respaldo técnico e científico. Trata-se de uma manobra burocrática para criar travas artificiais ao comércio internacional”, afirmou a entidade.
Segundo a federação, países concorrentes do Brasil, como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, utilizam produtos semelhantes e não sofreram restrições equivalentes por parte da União Europeia.
“O pretexto europeu, focado no uso de antibióticos, cai por terra diante dos fatos: os rebanhos de concorrentes diretos como os Estados Unidos, a Austrália e da Nova Zelândia utilizam rigorosamente os mesmos produtos fitossanitários e, convenientemente, não sofreram qualquer tipo de restrição, bloqueio ou veto por parte da UE.”
Mercosul
A União Europeia formalizou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de peixes, mel e tripas. O bloco afirma que o país não apresentou informações suficientes para comprovar o atendimento às exigências sanitárias sobre o uso de antimicrobianos.
A Faesp defendeu uma resposta coordenada do Mercosul e pediu maior atuação diplomática do governo brasileiro.
“É vital e urgente que a Argentina e o Uruguai se juntem a nós para construir um posicionamento regional unificado e robusto que demonstre a verdadeira força e o peso político-econômico do Mercosul.”
A medida pode atingir um mercado que movimentou cerca de US$ 1,8 bilhão em compras de carnes brasileiras em 2025. A federação afirmou que o bloco sul-americano precisa “responder à altura dessa afronta”.
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