NASA chegou mais perto do Sol do que nunca, mas a pergunta mais estranha continua sem resposta
A corona solar ainda desafia a física
A Sonda Parker Solar Probe, da NASA, já atravessou a corona solar, a camada externa onde as temperaturas passam de milhões de graus, enquanto a superfície visível abaixo é muito mais fria. Parece contraditório, e é justamente isso que torna a missão tão importante: a nave chegou perto o bastante para medir diretamente uma região que, por décadas, foi observada quase sempre de longe.
Por que a atmosfera do Sol é tão mais quente que a superfície?
O grande enigma está no chamado aquecimento da corona. Em condições comuns, o calor não deveria fluir sozinho de uma região mais fria para outra muito mais quente. Mesmo assim, a camada externa do Sol atinge temperaturas enormes, enquanto a fotosfera fica bem abaixo disso.
Essa diferença intriga físicos solares desde o século passado. A pergunta central é simples, mas difícil de responder: o que deposita tanta energia tão alto na atmosfera do Sol?

O que a Parker consegue medir tão perto do Sol?
A missão foi criada para chegar onde outras sondas não chegavam. Em dezembro de 2024, a Parker passou a cerca de 6,2 milhões de quilômetros da superfície solar e atingiu velocidade próxima de 692 mil quilômetros por hora, tornando-se o objeto humano mais rápido já registrado.
Ali, protegida por um escudo térmico especial, a nave mede dados que ajudam a entender o plasma, o campo magnético, a densidade, a temperatura e o vento solar. Esses detalhes são decisivos para testar as principais hipóteses sobre o mistério.
- Como a energia sobe da superfície para a corona.
- Onde o vento solar ganha velocidade.
- Como o campo magnético se dobra e se reorganiza.
- Quais sinais aparecem durante fases mais ativas do Sol.
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Quais teorias ainda disputam a explicação?
Duas ideias aparecem há décadas entre as principais candidatas. Uma envolve ondas magnéticas que sobem pela atmosfera solar e liberam energia na corona. A outra envolve pequenas reconexões magnéticas, muitas vezes chamadas de nanoflares, como se fossem explosões minúsculas e numerosas.
A missão não precisa provar que apenas uma hipótese está certa. O desafio real é descobrir onde cada mecanismo pesa mais e como essa energia se transforma em calor na região mais externa do Sol.
O que são os switchbacks vistos pela missão?
Entre os achados mais comentados estão os switchbacks, mudanças bruscas em formato de “S” na direção do campo magnético do Sol. Eles aparecem com frequência no vento solar jovem e podem carregar energia magnética relevante.
Um estudo publicado em 2024 refinou a discussão ao indicar que esses eventos são comuns perto do Sol, mas não aparecem da mesma forma dentro da corona. Isso sugere que alguns processos do vento solar podem ser necessários para formar switchbacks completos, embora sementes possam surgir em regiões mais baixas.

O mistério da corona já foi resolvido?
A resposta mais honesta é não. A Parker Solar Probe aproximou os cientistas da solução, mas ainda não escolheu definitivamente entre ondas, reconexões magnéticas ou uma combinação das duas. Ela esclareceu partes importantes do quebra-cabeça, especialmente sobre vento solar, campos magnéticos e comportamento da corona.
Como a nave voltou a passar perto do Sol durante o ciclo solar ativo, os dados coletados podem ser ainda mais valiosos. O ponto decisivo agora é comparar medições repetidas e descobrir se elas revelam qual mecanismo realmente entrega energia suficiente para manter a corona tão quente.
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