Veto da UE à carne brasileira ameaça US$ 2 bilhões em exportações
Brasil é excluído de lista sanitária e perde autorização para exportar diversos produtos de origem animal
A União Europeia formalizou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a cumprir suas exigências sanitárias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
A decisão pode levar a uma perda de quase US$ 2 bilhões por ano em exportações brasileiras de carnes, e incluem também frango, peixe e mel.
Com a medida, o Brasil ficará proibido de exportar esses produtos ao bloco a partir de 3 de setembro deste ano.
A decisão foi assinada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e publicada no diário oficial da UE.
Em 2025, a União Europeia comprou cerca de 368,1 mil toneladas de carnes e outros produtos brasileiros, movimentando aproximadamente US$ 1,8 bilhão.
O bloco é o segundo principal destino das exportações brasileiras de carne, atrás apenas da China.
A carne bovina responde pela maior parte desse comércio, com cerca de US$ 1,048 bilhão em vendas. Já o frango somou US$ 762 milhões.
O mel também será afetado, com exportações de US$ 6 milhões. Segundo a ABPA, o Brasil não exporta carne suína para o bloco.
Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, continuam autorizados a vender produtos de origem animal para a União Europeia.
Motivo da decisão
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil foi excluído por não apresentar garantias suficientes de conformidade com regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.
Essas normas, em vigor desde 2019, restringem o uso de antibióticos como promotores de crescimento animal e exigem comprovação de controle sanitário e rastreabilidade.
O bloco afirma que as informações enviadas pelo Brasil foram consideradas insuficientes para demonstrar o cumprimento das exigências.
Governo tenta reverter veto
O governo brasileiro tenta reverter a decisão por meio de negociação diplomática.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu com autoridades europeias para tratar do tema, mas ainda não há definição sobre uma solução.
O Itamaraty afirma que “há diálogos em curso com o lado europeu”, mas que não comenta tratativas em andamento.
A reinclusão do Brasil na lista europeia depende de aprovação técnica e política dentro da União Europeia, em um processo que pode levar meses e envolve reunião de comitês especializados.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)