Cresceu 48% e abriga o maior festival de jazz da América Latina: a cidade que mais conquista novos moradores no litoral pela sua qualidade de vida e praias tranquilas
A cidade litorânea que mais atrai novos moradores no Rio de Janeiro
Sob a areia de uma praia tranquila da Costa do Sol, conchas gigantes guardam vestígios de um povo que viveu ali milênios antes dos portugueses. Sobre essa mesma areia, hoje, cinco palcos ao ar livre montam o maior festival de jazz da América Latina. Rio das Ostras, no litoral do Rio de Janeiro, foi a segunda cidade que mais cresceu no estado e virou refúgio de quem quer mar sem multidão.
Por que tanta gente está se mudando para Rio das Ostras?
A resposta começa nos números do Censo 2022: a população saltou de 105.676 moradores em 2010 para 156.491, um crescimento de 48,08%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o segundo maior avanço do estado no período, atrás apenas de Maricá.
O motor desse crescimento é a economia ligada ao petróleo. A proximidade com a Bacia de Campos transformou a cidade em base de apoio para o setor a partir dos anos 1990, e a Prefeitura de Rio das Ostras aponta uma taxa média de crescimento de cerca de 11% ao ano, a maior do estado. O resultado atrai famílias da capital, profissionais de energia, aposentados e empreendedores.

O que faz a qualidade de vida ser tão alta na cidade?
A boa colocação em rankings ajuda a explicar a procura. No Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) de 2025, Rio das Ostras aparece entre as melhores do estado em Emprego e Renda, sendo uma das únicas da Região dos Lagos a atingir grau de desenvolvimento alto nessa área.
Os indicadores sociais acompanham esse desempenho. Segundo o IBGE, a taxa de escolarização de crianças de 6 a 14 anos chega a 98,9%, e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) dos anos iniciais alcançou 6,1 em 2023, entre os melhores do estado. Boas escolas, mar à frente e ar mais leve que o da capital formam uma combinação difícil de achar no litoral fluminense.
O festival gratuito que virou a alma da cidade
A maior marca cultural de Rio das Ostras nasceu de uma troca ousada. Em 2003, a prefeitura apostou em jazz e blues no lugar dos shows de verão que dominavam a temporada, e criou o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival. A primeira edição já trouxe nomes como o guitarrista Stanley Jordan e o percussionista Naná Vasconcelos.
Duas décadas depois, o evento se tornou o maior do gênero na América Latina, sempre gratuito, em cinco palcos ao ar livre entre a praia e a lagoa. Conforme a Prefeitura de Rio das Ostras, foram mais de um milhão de espectadores ao longo das edições. O sucesso rendeu à cidade, em 2011, o título de Capital Estadual do Jazz & Blues, concedido pelo Estado do Rio de Janeiro, e a música instrumental virou parte da identidade local.
Quem deseja curtir belas praias e uma musicalidade contagiante na região dos lagos, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 304 mil visualizações, onde Tati Marm mostra pontos turísticos imperdíveis, praias arborizadas e a famosa gastronomia de Rio das Ostras – RJ:
A história de 4 mil anos escondida no centro
Antes de qualquer festival, a região já era habitada. O Sítio Arqueológico Sambaqui da Tarioba guarda vestígios de uma civilização que viveu ali entre 2 mil e 4 mil anos atrás, segundo a Prefeitura. O local foi mapeado em 1967 pelo Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) e hoje funciona como museu a céu aberto, um dos poucos do tipo no país, onde o visitante caminha sobre o próprio sítio e vê esqueletos, conchas e ferramentas de pedra como foram encontrados.
O nome da cidade nasceu dessas mesmas conchas: os indígenas chamavam o trecho de Leripe, que em tupi-guarani significa lugar de ostra. Na orla, outro símbolo chama atenção: a Praça da Baleia, em Costazul, abriga uma escultura de baleia jubarte com 20 metros de comprimento, descrita pela Prefeitura como a maior homenagem a um cetáceo no mundo.
Onde fica Rio das Ostras e como chegar
Rio das Ostras está na Costa do Sol, a cerca de 170 km da capital, entre Casimiro de Abreu e Macaé. O acesso principal se dá pela RJ-106, duplicada nos últimos anos, com ligação à BR-101, o que aproxima a cidade tanto do Rio de Janeiro quanto do restante da Região dos Lagos.
São 15 praias distribuídas por 28 km de costa, boa parte delas pequenas enseadas ainda preservadas. É justamente essa mistura de praias calmas, trabalho por perto e história milenar que diferencia a cidade dos destinos mais lotados do litoral fluminense.
Vale a pena conhecer de perto
Rio das Ostras reúne o que poucas cidades litorâneas conseguem juntar: praias tranquilas, um festival gratuito de alcance internacional e um passado de milhares de anos preservado em pleno centro. É um endereço que cresce rápido sem perder o sossego que conquistou tanta gente.
Você precisa conhecer Rio das Ostras e ouvir o jazz ao vivo com os pés na areia da Costa do Sol.
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