O dia na Terra já teve só 22 horas, e corais fósseis guardaram essa pista por milhões de anos
A Lua está alongando a duração dos dias lentamente
O dia na Terra parece uma medida fixa, com 24 horas bem divididas no relógio. Mas essa estabilidade é apenas uma fotografia do presente. Ao longo de bilhões de anos, a rotação da Terra vem ficando mais lenta, principalmente pela interação gravitacional com a Lua. E um dos sinais mais curiosos dessa história está em antigos corais fósseis, cujos anéis mostram que, há cerca de 380 milhões de anos, um dia durava perto de 22 horas.
Por que o dia na Terra não teve sempre 24 horas?
A duração do dia depende da velocidade com que o planeta gira em torno de si mesmo. Hoje, usamos 24 horas como referência, mas a Terra já girou mais rápido no passado distante.
O principal freio é o atrito das marés. A gravidade da Lua puxa os oceanos, cria marés e transfere parte da energia de rotação da Terra para a órbita lunar, fazendo nosso satélite se afastar lentamente.

Como corais antigos revelaram dias mais curtos?
A pista veio dos anéis de crescimento preservados em corais antigos. Assim como árvores registram ciclos em seus troncos, alguns corais registram finas camadas diárias dentro de ciclos anuais.
Quando cientistas contam quantas marcas diárias aparecem em um ano fossilizado, conseguem estimar quantos dias aquele ano tinha. Se o ano orbital era quase igual ao atual, mais dias por ano significam dias individuais mais curtos.
O que os fósseis mostram sobre a duração do dia?
No período Devoniano, centenas de milhões de anos antes dos dinossauros, alguns corais registravam perto de 400 dias em um ano. A conta é simples: o ano tinha duração parecida em horas, mas era dividido em mais dias.
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Esse padrão combina com o que a física das marés prevê. Quanto mais voltamos no tempo geológico, mais rápido o planeta girava e mais dias cabiam dentro de um ano.

Por que a Lua está deixando os dias mais longos?
A Lua não fica parada no mesmo lugar. Medições modernas mostram que ela se afasta da Terra alguns centímetros por ano, enquanto a rotação do planeta perde energia lentamente.
Hoje, relógios atômicos conseguem perceber variações muito pequenas na duração do dia. Mesmo assim, efeitos de curto prazo, como ventos, oceanos e redistribuição de massa na Terra, podem acelerar ou desacelerar levemente a rotação por períodos breves.
O que essa descoberta muda sobre o passado da Terra?
Ela muda a nossa imaginação. Quando pensamos em oceanos antigos, trilobitas, corais primitivos e mares rasos, imaginamos um planeta familiar. Mas o Sol cruzava o céu mais rápido, e o ritmo de luz e escuridão era diferente.
Um dia de 22 horas não alteraria apenas um relógio inexistente. Ele revela que até as coisas que parecem mais estáveis, como manhã, tarde e noite, também têm história. A Terra que conhecemos é apenas uma fase de um planeta que continua mudando devagar.
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