A sexta extinção em massa pode já ter começado, e desta vez o asteroide somos nós
A vida na Terra muda rápido demais para muitas espécies
A Terra já passou por cinco grandes colapsos de vida, eventos em que uma enorme parte das espécies desapareceu em um intervalo curto na escala geológica. Agora, muitos cientistas defendem que estamos entrando na sexta extinção em massa. A diferença assusta: desta vez, o gatilho não seria um asteroide ou uma erupção colossal, mas uma única espécie alterando atmosfera, oceanos e ecossistemas rápido demais para a biodiversidade acompanhar.
O que define uma extinção em massa?
Em geral, uma extinção em massa é entendida como a perda de cerca de 75% das espécies do planeta em um período curto do ponto de vista geológico. É uma escala difícil de imaginar porque envolve milhões de anos, fósseis e mudanças profundas nos ecossistemas.
As cinco grandes extinções conhecidas incluem eventos no fim do Ordoviciano, Devoniano, Permiano, Triássico e Cretáceo. A mais famosa é a que eliminou os dinossauros não aviários, após o impacto de um asteroide há cerca de 66 milhões de anos.

Por que tantos cientistas falam em sexta extinção?
O argumento principal é que a taxa atual de perda de espécies está muito acima do ritmo natural esperado. Estudos com vertebrados mostram que o número de extinções recentes seria muito improvável sem a pressão humana.
O problema não está apenas nas espécies oficialmente extintas. Muitas populações estão encolhendo, habitats estão desaparecendo e animais ainda vivos podem estar funcionalmente condenados se restarem poucos indivíduos ou áreas isoladas.
Como a ação humana acelera essa crise?
A ação humana afeta a vida selvagem por várias frentes ao mesmo tempo. O impacto não vem de uma única causa, mas de uma combinação que pressiona espécies terrestres, marinhas e de água doce.
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É por isso que a crise atual é tão diferente das anteriores. Antes, grandes forças naturais mudavam o planeta. Agora, agricultura, expansão urbana, emissões, pesca, caça, comércio global e consumo aceleram a perda de vida ao mesmo tempo.

Existe consenso de que já é uma sexta extinção?
Aqui está a parte mais importante: há consenso de que a perda de espécies é séria e causada principalmente por humanos, mas nem todos concordam que ela já alcançou o limite técnico de uma extinção em massa.
Alguns estudos estimam que extinções modernas de vertebrados estão dezenas de vezes acima da taxa de fundo. Outros alertam que invertebrados, menos estudados, podem esconder perdas muito maiores do que os registros oficiais mostram.
Por que essa extinção seria diferente das outras cinco?
A diferença está na responsabilidade. As extinções anteriores foram ligadas a impactos, vulcanismo, mudanças nos oceanos e alterações climáticas naturais. A atual é impulsionada por escolhas humanas acumuladas em poucos séculos.
Isso torna a história mais pesada, mas também menos inevitável. Se uma espécie está mudando o planeta rápido demais, essa mesma espécie ainda pode escolher proteger habitats, reduzir emissões, conter poluição e frear a perda de vida antes que o rótulo de sexta extinção deixe de ser debate e vire registro fóssil.
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