Considerado um “fóssil vivo”, tubarão não visto desde 1898 reaparece na costa espanhola
O encontro raro nas Ilhas Canárias amplia o mapa conhecido da espécie e reforça a importância de refúgios de águas profundas.
O tubarão-duende foi registrado vivo nas Ilhas Canárias após uma captura acidental em águas profundas. O animal raro, de aparência incomum, ampliou o mapa científico da espécie no Atlântico Centro-Oriental.
O que torna o tubarão-duende tão raro?
O tubarão-duende, de nome científico Mitsukurina owstoni, é raro porque vive em grandes profundidades e quase nunca cruza com humanos. Desde sua descrição em 1898, menos de 250 indivíduos foram documentados no mundo.
Essa baixa quantidade de registros dificulta o estudo da espécie. Grande parte do conhecimento vem de capturas acidentais, fotos, vídeos e exemplares isolados, não de observações contínuas em ambiente natural.

Como ocorreu o avistamento nas Ilhas Canárias?
O avistamento ocorreu quando pescadores recreativos fisgaram o animal acidentalmente perto de Gran Canaria, na Espanha. O exemplar foi capturado a cerca de 900 metros de profundidade e a aproximadamente 9,5 km da costa de San Cristóbal.
O tubarão media cerca de 2,5 metros e foi avaliado provisoriamente como uma fêmea subadulta, pela ausência de estruturas externas associadas a machos. Após fotos e vídeos, o animal foi solto vivo, sem ferimentos visíveis.
Os principais dados do registro são estes:
- Espécie: Mitsukurina owstoni, conhecida como tubarão-duende;
- Tamanho: cerca de 2,5 metros de comprimento total;
- Profundidade: aproximadamente 900 metros;
- Local: costa de Gran Canaria, nas Ilhas Canárias;
- Marco: primeiro avistamento vivo confirmado na região.
Por que esse tubarão é chamado de fóssil vivo?
Ele é chamado de fóssil vivo porque pertence a uma linhagem muito antiga de tubarões e conserva características consideradas primitivas. Seu corpo macio, focinho alongado e mandíbulas altamente projetáveis dão ao animal uma aparência diferente da maioria dos predadores marinhos atuais.
O apelido também reflete a raridade científica do grupo. Embora a espécie exista hoje, ela representa uma família com longa história evolutiva, o que torna cada registro importante para entender distribuição, comportamento e adaptação em águas profundas.
A aparência do animal pode ser resumida assim:
Qual é a importância científica do registro?
O registro é importante porque confirma a presença viva do tubarão-duende nas Ilhas Canárias. Segundo o artigo publicado em Thalassas, o caso amplia a distribuição conhecida da espécie no Atlântico Centro-Oriental.
O estudo também mostra que a espécie pode ocupar áreas ainda pouco pesquisadas. Como ambientes profundos são difíceis de monitorar, um único encontro documentado pode preencher lacunas em mapas científicos e orientar novas investigações.

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Por que as Canárias podem funcionar como refúgio ecológico?
As Canárias podem funcionar como refúgio porque a pesca de arrasto de fundo deixou de ocorrer no arquipélago desde a década de 1980. Além disso, não há pesca ativa direcionada a tubarões e raias de águas profundas naquela área.
Esse cenário reduz parte da pressão sobre espécies vulneráveis, embora capturas incidentais ainda possam acontecer. Por isso, o reaparecimento do tubarão-duende reforça a necessidade de monitorar ecossistemas profundos e proteger regiões onde animais raros conseguem persistir.
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