Juro elevado “está matando as empresas”, afirma Ricardo Lacerda
Sócio-fundador do banco de investimento BR Partners, empresário alerta para risco de crise ainda maior
O patamar elevado da taxa Selic coloca em risco a sobrevivência de empresas brasileiras e pode desencadear uma crise de crédito de proporções maiores. O alerta é de Ricardo Lacerda, sócio-fundador do banco de investimento BR Partners.
“Há uma espiral negativa na economia muito forte”, afirmou o banqueiro, que aponta uma deterioração silenciosa nas finanças corporativas do país, pressionadas pelo custo do dinheiro alto e pela perspectiva de um ciclo curto de cortes de juros.
Endividamento estrangula empresas
Segundo Lacerda, companhias com dívida equivalente a duas vezes seu fluxo de caixa, índice historicamente considerado saudável, já enfrentam dificuldades para honrar compromissos. O cenário força renegociações de passivos, reduz a capacidade de alavancagem e limita investimentos.
Ajuste fiscal é caminho obrigatório
De acordo com o executivo do BR Partners, a saída passa necessariamente pelo equilíbrio das contas públicas, independentemente de qual partido vença as próximas eleições. “Precisamos de um plano de política fiscal que permita ao Brasil ter um juro nominal e um juro real de um dígito”, disse Lacerda, que não descartou a proximidade de um cenário de crise creditícia mais grave.
Em entrevista ao Estadão, afirmou que “é preciso, independentemente do resultado da eleição (presidencial de outubro), que se tenha uma política fiscal que permita um patamar de juro nominal e de juros reais no Brasil na casa de um dígito. Porque isso é o que vai trazer a capacidade de investimento das empresas, que vai poder gerar mais crescimento. Não dá mais para tapar o sol com a peneira, achando que a gente vai conseguir indefinidamente manter esses indicadores econômicos positivos à custa desse estímulo fiscal. Esse é o grande nó da economia brasileira hoje”.
Saudades do Sarney?
Caso o próximo governo, seja qual for, não fizer os ajustes necessários, e economicamente incontornáveis, “poderá haver uma situação de hiperinflação ou de calote na dívida, que são coisas que a gente já viveu no passado e que, obviamente, estamos muito distantes. Acho importante que essa solução venha proativamente e não reativamente, porque reativamente será preciso corrigir uma série de coisas, uma recessão, uma hiperinflação, problema de insolvência ou pode ter uma combinação de todas essas coisas”.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, “talvez tenha esperado demais para iniciar o ciclo de corte e acabou sendo pego pela guerra, um evento exógeno que impede uma redução mais longa e profunda. Vamos conviver com juros altos por um período prolongado; é preciso mudar essa equação para que as empresas se replanejem”, de acordo com Rodrigo Lacerda.
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Comentários (2)
Marian
05.06.2026 23:03O Paraguai agradece.
Não são os Bancos (agiotas) q estão quebrando todo o povo brasileiro?