Após 4 anos de construção e muita fibra de vidro, Iberê finalmente levou seu submarino construído em casa para navegar no fundo do mar
O teste em Paraty teve cabine pressurizada, apoio de mergulhadores, pequenos vazamentos e um susto com leitura errada dos cilindros.
Quatro anos de planejamento, erros, testes e muita fibra de vidro depois, Iberê Thenório, do canal Manual do Mundo, finalmente levou seu submarino amarelo caseiro para o oceano. A missão aconteceu em Paraty, Rio de Janeiro, e envolveu tensão desde o primeiro momento: o medo de o casco trincar no reboque, pequenos vazamentos na escotilha e, no clímax, um alarme falso de falta de ar a 7 metros de profundidade. No fim, o submarino funcionou, Iberê chegou ao fundo do mar e a história ficou para sempre.
Como funciona a engenharia de um submarino construído do zero
O coração técnico do projeto é o sistema de cabine pressurizada. Conforme o submarino desce, ar é injetado para dentro da cabine para igualar a pressão interna com a pressão externa da água, evitando que o casco de fibra de vidro seja esmagado. O piloto precisa compensar a pressão nos ouvidos, exatamente como faz um mergulhador autônomo, mesmo estando dentro de uma cápsula fechada.
O controle da embarcação é feito por pedais de aceleração e válvulas que regulam a entrada e saída de água e ar nos tanques de lastro, determinando se o submarino sobe, desce ou se mantém estável. Não há sistema automatizado: cada ajuste depende da leitura precisa do piloto sobre o comportamento da embarcação em tempo real.
Confira o vídeo com partilhado pelo canal do YouTube Manual do Mundo mostrando o resultado final da construção do submarino caseiro.
Por que Paraty foi escolhida e como foi a operação no mar
A escolha de Paraty foi estratégica. As águas calmas e a boa profundidade próxima à Ilha Comprida, com fundo de areia e fauna marinha abundante, ofereciam as condições ideais para um primeiro mergulho oficial. A equipe usou um catamarã como barco de apoio, escolhido justamente por balançar pouco, garantindo estabilidade para os equipamentos de filmagem e para a equipe na superfície.
Um detalhe que Iberê menciona como “de boa sorte”: o mergulho aconteceu de frente para a casa do navegador brasileiro Amyr Klink, um de seus maiores ídolos. A operação contou com o suporte de mergulhadores profissionais da operadora Adrenalina, de Paraty, responsáveis pela segurança logística de toda a missão.
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Quais foram os principais riscos e sustos durante o mergulho
A tensão começou antes mesmo de Iberê entrar na cabine. O maior medo inicial era que a fibra de vidro do submarino trincasse ou rasgasse durante o reboque no mar aberto. Já dentro da embarcação, ele precisou lidar com pequenos vazamentos na escotilha e nos cabos do acelerador, controlados com bomba de sucção e esponja, algo previsto no projeto mas incômodo na prática. Os momentos mais críticos, porém, estão nesta sequência:
| Momento da Expedição | Descrição do Evento | Impacto / Reação |
|---|---|---|
| Primeira Submersão | A escotilha do submarino é submersa pela primeira vez. | Iberê descreve um “frio na barriga” ao perceber que estava entrando em um ambiente hostil à vida humana. |
| Estabilização no Fundo | O submarino estabiliza no fundo, a uma profundidade de 6 ou 7 metros. | Momento marcado por uma visibilidade surpreendente e pela presença de peixes ao redor da embarcação. |
| Alarme de Falta de Ar | Durante a subida, a equipe de superfície informa erroneamente que os cilindros estão vazios. | Geração de um alarme falso de emergência respiratória em um momento crítico do teste. |
| Verificação do Painel | Iberê consulta rapidamente os instrumentos de pressão do submarino. | Constatação imediata de que era apenas um erro de leitura da superfície, descartando o risco real. |

O que Iberê viu no fundo do mar e como foi o momento da chegada
Ao atingir estabilidade no fundo arenoso, Iberê se deparou com uma cena de vida marinha que ele não esperava encontrar com tanta clareza. A visibilidade era boa o suficiente para registrar peixes circulando ao redor do submarino amarelo, numa imagem que mistura ficção científica com conquista genuína. Foi nesse momento que ele fez questão de registrar em voz alta: “Helena, Melissa, papai tá no fundo do mar!”, chamando as filhas pelo nome.
A cena resume bem o que aquele mergulho representava: não era apenas uma demonstração técnica, mas o fim de uma jornada de quatro anos que envolveu dezenas de pessoas, centenas de horas de testes e a disposição de errar em público para aprender e recomeçar.
Por que esse projeto vai muito além de um submarino amarelo
Na reflexão final do vídeo, Iberê deixa claro que os quatro anos de desenvolvimento não foram sobre ter um veículo submarino. Foram sobre o processo: as pessoas que entraram e saíram do projeto, os erros técnicos que ensinaram mais do que os acertos, e a construção de uma história que vale ser contada. Esse é o tipo de projeto que transforma quem o faz, não só quem assiste.
Se você já teve um sonho que parecia grande demais, complicado demais ou demorado demais para existir, o submarino do Manual do Mundo é a prova de que a engenharia mais importante de qualquer projeto não é a do casco, é a da persistência. Quatro anos. Um mergulho. Uma história que ninguém esquece.
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