Obra de túnel na Suécia encontra seis navios enterrados onde antes existia o mar e revela uma cidade medieval escondida sob o asfalto

25.06.2026

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Obra de túnel na Suécia encontra seis navios enterrados onde antes existia o mar e revela uma cidade medieval escondida sob o asfalto

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5 minutos de leitura 05.06.2026 18:33 comentários
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Obra de túnel na Suécia encontra seis navios enterrados onde antes existia o mar e revela uma cidade medieval escondida sob o asfalto

A área escavada fazia parte da antiga orla marítima da cidade e preservou fragmentos de embarcações de diferentes períodos.

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Obra de túnel na Suécia encontra seis navios enterrados onde antes existia o mar e revela uma cidade medieval escondida sob o asfalto
Escavações para túnel urbano revelam embarcações medievais perfeitamente preservadas.

Uma obra de infraestrutura que deveria perfurar o subsolo de uma cidade sueca acabou abrindo uma janela para o passado medieval. Durante as escavações para a construção do Túnel de Varberg, no centro da Suécia, equipes encontraram os restos de seis embarcações soterradas sob o que hoje é solo urbano. O que era canteiro de obras virou, sem aviso, um dos sítios arqueológicos mais surpreendentes dos últimos anos na costa europeia.

Como seis navios foram parar debaixo de uma cidade sueca

A resposta está na geografia histórica. A área escavada em Varberg correspondia, séculos atrás, à antiga orla marítima da cidade, incluindo o fundo do porto e uma rada. Com o tempo, o avanço urbano foi cobrindo e soterrando esse espaço, preservando involuntariamente o que estava submerso ou encalhado. As investigações arqueológicas, iniciadas em 2019 em parceria com a Administração Sueca de Transportes, aproveitaram a abertura do terreno para examinar essa linha costeira original.

Segundo a Arkeologerna, organização responsável pelo trabalho arqueológico, quatro das seis embarcações datam da Idade Média ou do final desse período, uma é do século XVII e a data da sexta não pôde ser determinada. O fato de estarem enterradas em camadas sedimentares ajuda a explicar por que fragmentos de diferentes épocas foram preservados no mesmo local.

Antiga linha costeira soterrada pelo avanço urbano abrigava valioso patrimônio histórico – Crédito: Arkeoologerna

O que os arqueólogos encontraram dentro de cada naufrágio

Os destroços não estavam intactos, mas cada fragmento carregava informações valiosas. A líder do projeto, Elisabet Schager, afirmou que os restos de navios preservados têm se tornado achados cada vez mais comuns na costa oeste da Suécia, porque grandes projetos de infraestrutura frequentemente atravessam antigas zonas portuárias medievais. Em Varberg, o resultado foi um conjunto de embarcações conectadas à história marítima da cidade. Os principais achados incluem:

  • Naufrágio 2: o mais bem preservado dos três analisados no relatório, era um veleiro de carvalho construído na segunda metade da década de 1530, com técnica de sobreposição de tábuas típica do norte da Europa. Apresentava sinais de fogo e uma faixa de reforço externa usada para proteger o casco durante atracações.
  • Naufrágio 5: também construído com tábuas sobrepostas, mas de um período posterior, situado em algum momento do século XVII. Restavam poucos fragmentos, e a recuperação foi feita rapidamente.
  • Naufrágio 6: único dos três com a quilha preservada, construído com tábuas lado a lado, método associado à tradição naval holandesa. A origem da madeira e a data de abate não puderam ser determinadas pela análise dendrocronológica.

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O que esses navios revelam sobre a história marítima da região

Cada fragmento funciona como uma pista sobre como as embarcações eram construídas, de onde vinham e em que tipo de águas operavam. A madeira dos naufrágios 2 e 5, por exemplo, foi identificada como proveniente de bosques de carvalho de Halland ou do oeste da Suécia, indicando que as embarcações navegavam próximo às antigas cidades medievais de Varberg e Nova Varberg.

O trabalho foi desenvolvido com arqueólogos marinhos e especialistas do Museu de Bohusläns, da Visuell Arkeologi e do Kulturmiljö Halland. A equipe comparou detalhes dos destroços com outros naufrágios conhecidos, como o navio Osmund, do arquipélago de Estocolmo, construído em pinho na década de 1540, e o navio Riddarholm, de carvalho, com árvores abatidas entre 1516 e 1524.

Análises botânicas identificam origem geográfica das madeiras utilizadas nos cascos – Crédito: Arkeoologerna

Por que esse tipo de descoberta acontece durante obras urbanas

Não é coincidência que naufrágios medievais apareçam durante escavações de túneis e ferrovias. Schager explicou que grandes projetos de infraestrutura frequentemente atravessam áreas que eram distritos portuários e aquáticos durante a Idade Média e o início da Idade Moderna. O solo urbano, ao ser construído sobre antigas orlas, acabou funcionando como uma câmara de preservação natural para o que ficou para trás.

Em Varberg, as escavações para o Naufrágio 2 começaram de forma inesperada: as primeiras peças do casco foram encontradas durante uma operação noturna, quando um empreiteiro instalava estacas junto à ferrovia existente e nenhum arqueólogo estava presente. As peças foram retiradas e reservadas para análise no dia seguinte, uma decisão que salvou parte de um registro histórico que poderia ter sido destruído sem deixar rastro.

A investigação ainda não terminou e pode reservar novas surpresas

Os naufrágios 3 e 4, descritos como cocas do século XIV, ainda estão sendo analisados pela equipe, e o trabalho de elaboração do relatório final mal começou. Schager confirmou que as análises estão avançando, o que significa que Varberg pode guardar ainda mais respostas sobre a vida portuária medieval da Suécia do que se imaginava inicialmente.

Descobertas como essa lembram que o passado não desapareceu: ele foi apenas coberto. Cada obra, cada escavação, cada metro de terra revirado pode esconder séculos de história esperando para ser lida. O que começou como um projeto de engenharia se transformou em uma das janelas mais completas já abertas para o mundo marítimo medieval escandinavo. E ainda há muito mais por vir.

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