Sonda Hayabusa falhou, perdeu controle e queimou na volta, mas conseguiu entregar algo que ninguém antes tinha feito
Poucos grãos de poeira bastaram para mudar a história espacial
A Hayabusa parecia condenada a virar apenas uma missão fracassada no espaço. Depois de uma viagem de sete anos, falhas de comunicação, vazamento de combustível e problemas nos motores, a sonda japonesa voltou em 2010 como uma sobrevivente. Ela queimou no céu da Austrália, mas antes liberou uma pequena cápsula que pousou intacta no deserto. Dentro dela estavam as primeiras amostras de asteroide já trazidas diretamente para a Terra.
Por que a volta da Hayabusa virou uma história quase impossível?
A missão foi lançada em 2003 pela JAXA, com destino ao asteroide Itokawa, um corpo rochoso próximo da Terra. A ideia parecia ousada: chegar até um asteroide, tocar sua superfície, coletar material e retornar com ele para análise em laboratório.
O que aconteceu foi muito menos limpo do que o resumo histórico sugere. A nave enfrentou problemas suficientes para encerrar a missão várias vezes. Ainda assim, a equipe conseguiu improvisar soluções e manter a sonda viva até a reentrada final.

O que deu errado durante a missão?
A Hayabusa sofreu com falhas sucessivas. Um pequeno módulo saltador, chamado MINERVA, deveria pousar no asteroide, mas acabou se perdendo no espaço. Depois vieram dificuldades de navegação, comunicação instável e problemas nos motores iônicos.
O cenário ficou ainda mais dramático quando o sistema de coleta não funcionou como planejado. A missão sobreviveu por uma combinação de engenharia, paciência e muita tentativa de recuperação:
- o pousador MINERVA não conseguiu alcançar a superfície;
- a nave teve falhas de comunicação durante a viagem;
- houve vazamento de combustível e perda de controle temporária;
- parte dos motores apresentou mau funcionamento;
- o projétil do sistema de coleta não disparou como deveria.
Como vieram amostras se o disparo falhou?
O plano original usava um coletor de amostras em formato de funil. Ao tocar o solo, a sonda deveria disparar um pequeno projétil metálico para levantar fragmentos da superfície e direcioná-los para dentro do compartimento.
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A surpresa veio depois. Mesmo sem o disparo, o contato com a superfície em baixa gravidade levantou uma pequena quantidade de poeira de asteroide. Eram grãos minúsculos, mas suficientes para transformar uma missão quase perdida em marco científico.
O que a poeira de Itokawa revelou?
As partículas eram menores que a largura de um fio de cabelo, mas responderam a uma pergunta antiga. Cientistas queriam saber se asteroides do tipo S eram a origem de muitos meteoritos comuns encontrados na Terra. As amostras ajudaram a ligar Itokawa aos condritos ordinários.
Também ficou mais claro como o intemperismo espacial muda a aparência de rochas expostas ao vento solar e a micrometeoritos. Em outras palavras, a missão trouxe pouco material, mas trouxe uma resposta enorme sobre a origem de pedras que caem no nosso planeta.

Por que essa missão mudou as próximas viagens espaciais?
A Hayabusa provou que era possível tocar um asteroide, voltar para casa e entregar material real para laboratórios terrestres. Mais do que isso, mostrou tudo o que poderia dar errado em uma missão desse tipo, informação valiosa para a sucessora Hayabusa2.
A segunda missão japonesa aprendeu com os tropeços da primeira e voltou de Ryugu em 2020 com uma coleta muito mais robusta. Por isso, a Hayabusa original continua tão poderosa: ela não foi perfeita, não voltou inteira e quase não trouxe nada. Mesmo assim, abriu uma porta que a exploração espacial nunca mais fechou.
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