Homem de gelo congelado há 5.300 anos carregava micróbios vivos, revelam os cientistas
Os pesquisadores identificaram diferentes gerações de microrganismos habitando os tecidos e o trato digestivo de Ötzi.
Ötzi, o Homem de Gelo que viveu na Idade do Cobre e foi descoberto congelado em 1991 nos Alpes, revelou-se um ecossistema biológico dinâmico e surpreendentemente ativo.
Uma análise abrangente conduzida pela Eurac Research detectou bactérias, fungos e leveduras que ainda interagem com o ambiente, desafiando a ideia de que a múmia europeia mais antiga seja apenas uma relíquia inerte.
O Homem de Gelo abriga três mundos microbianos distintos
Os pesquisadores identificaram diferentes gerações de microrganismos habitando os tecidos e o trato digestivo de Ötzi.
O panorama biológico divide-se entre organismos nativos de sua própria vida e invasores que colonizaram o corpo após a sua morte nas montanhas.
A comunidade viva é composta por elementos de origens temporais muito distantes. Para mapear essa linha do tempo de colonização, os cientistas isolaram os microrganismos através das seguintes categorias históricas:
A preservação do intestino revela hábitos de uma era pré-industrial
O trato intestinal do caçador pré-histórico forneceu uma oportunidade única para a ciência analisar a saúde humana antes do advento dos alimentos processados.
Os dados genéticos extraídos mostram um microbioma rico e completamente adaptado a uma realidade rudimentar. Os micróbios antigos apresentavam severos danos no DNA causados por milênios de degradação química, o que comprova sua antiguidade.
No entanto, as condições anaeróbicas do abdômen protegeram essas estruturas, revelando uma dieta rica em fibras vegetais e carnes de animais silvestres.
Scientists find yeast in ancient Iceman's guts — and make bread.
— AFP News Agency (@AFP) June 3, 2026
More than 5,300 years ago — before the Egyptian pyramids were built — Oezti was living in the Alps when he was killed by an arrow in the back. He remained frozen in the ice until two German hikers stumbled… pic.twitter.com/fOZ0UBNUQz
Leveduras vivas ameaçam a integridade da múmia milenar
A grande surpresa do estudo foi constatar que micro-organismos modernos e fúngicos estão se proliferando ativamente na pele de Ötzi. Mesmo mantido em uma câmara fria a -6 graus Celsius para simular a geleira, o ecossistema continua se transformando.
Essa atividade metabólica inesperada preocupa os cientistas responsáveis pela preservação do patrimônio arqueológico.
O crescimento contínuo de leveduras adaptadas ao frio acende um alerta sobre possíveis danos biológicos a longo prazo na estrutura celular do corpo.
A civilização moderna modificou o ecossistema do corpo congelado
Os procedimentos de conservação adotados após a descoberta da múmia alteraram involuntariamente o equilíbrio biológico do achado.
A interferência humana recente acabou sobrepondo novos elementos à assinatura microbiológica original do caçador alpino.
Os cientistas descobriram que a água destilada pulverizada para manter a umidade externa de Ötzi introduziu colônias de bactérias urbanas.
Essa contaminação recente remodelou a camada superficial da pele, gerando um debate sobre os limites e riscos das técnicas de manutenção biológica.
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