A incrível missão do chimpanzé que sobreviveu a um voo espacial em 1961
Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputavam cada avanço no espaço
Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputavam cada avanço no espaço. Antes de qualquer astronauta norte-americano, o chimpanzé Ham foi enviado em um voo suborbital para testar se um primata suportaria lançamento, microgravidade e reentrada.
Seu desempenho em 1961 foi decisivo para liberar o primeiro voo tripulado dos EUA meses depois.
Quem foi o chimpanzé Ham e por que ele foi importante?
Inicialmente chamado de Number 65, o chimpanzé só recebeu publicamente o nome Ham após voltar vivo, reduzindo o impacto caso a missão fracassasse. Seu voo permitiu avaliar, em tempo real, se um organismo com fisiologia semelhante à humana resistiria às condições extremas da viagem espacial.
A trajetória de Ham uniu pesquisa biomédica, propaganda política e, mais tarde, debate ético sobre o uso de animais em experimentos. Para a NASA e a Força Aérea, porém, ele foi visto como etapa indispensável para colocar humanos no espaço em meio à pressão da corrida espacial.

Qual era a origem de Ham e qual o contexto da corrida espacial?
Ham nasceu em 1957 na região que hoje é a República dos Camarões e foi capturado ainda jovem, entrando no comércio de animais exóticos. Acabou em uma atração em Miami e, depois, foi comprado pela Força Aérea dos EUA, interessada em primatas para estudos médicos ligados ao programa espacial.
Em 1959, foi levado à Base Aérea de Holloman, no Novo México, que mantinha dezenas de chimpanzés para testar efeitos de aceleração, pressão e confinamento. A espécie foi escolhida pela grande proximidade fisiológica com humanos, o que tornava os dados relevantes para selecionar e treinar os primeiros astronautas.
Como funcionava o treinamento espacial do chimpanzé Ham?
O treinamento buscava avaliar não só resistência física, mas também desempenho cognitivo sob estresse. Ham aprendia a acionar alavancas em resposta a sinais luminosos e sonoros, recebendo ração com sabor de banana e água como recompensa, ou leves choques nos pés em caso de erro.
Os candidatos eram submetidos a centrífugas, câmaras de vácuo e longos períodos em cadeiras de contenção, simulando condições reais da cápsula. De um grupo inicial de cerca de 40 animais, restaram seis finalistas levados a Cabo Canaveral; no dia do lançamento, Number 65 foi escolhido como titular.
Como foi o voo espacial de Ham e quais resultados ele trouxe?
A missão Mercury-Redstone 2, em 31 de janeiro de 1961, usou um foguete baseado em míssil Redstone e uma cápsula Mercury adaptada para o chimpanzé. Falhas no foguete levaram a uma altitude e distância maiores que o planejado, com forças de até quinze vezes a gravidade terrestre durante a reentrada.
Mesmo sob condições mais severas, a telemetria mostrou que Ham manteve boa precisão nas tarefas, com leve queda de eficiência. O pouso no Atlântico ocorreu longe do ponto previsto, atrasando o resgate, mas o animal foi encontrado agitado e vivo, reforçando a confiança nos futuros voos tripulados.
O canal Voando no Espaço conta a história de Ham:
O que aconteceu com Ham depois da missão e quais foram seus principais marcos?
Após o voo, Ham permaneceu algum tempo em Holloman, depois foi transferido em 1963 para o Zoológico Nacional de Washington, onde viveu isolado, em desacordo com as necessidades sociais típicas da espécie.
No início dos anos 1980, foi levado ao Zoológico da Carolina do Norte, passando a viver em grupo até morrer em 1983.
Seus principais marcos ajudam a entender o papel dos animais na astronáutica inicial:
Captura na África central e transferência para a Base Aérea de Holloman, iniciando a triagem de adaptabilidade física.
Treinamento baseado no acionamento de alavancas em resposta a estímulos luminosos, testando o tempo de reação neurológica.
Voo suborbital de alta fricção em 1961, superando acelerações severas de gravidade e validando as cápsulas Mercury.
Desativação do serviço espacial, transferência para cativeiros controlados e preservação de legado no Hall da Fama Espacial.
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