Governo teme novo tarifaço dos EUA, admite Durigan
Gestão Trump comanda investigação que inclui Pix, desmatamento, condições de trabalho e facções criminosas (ou terroristas)
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na segunda-feira, 1º de junho, que o Brasil tem apresentado argumentos técnicos para conter possíveis decisões unilaterais a serem adotadas pelos EUA, no âmbito de uma investigação conduzida pela gestão Trump com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.
Desmatamento, propriedade intelectual, condições de trabalho e o sistema de pagamentos instantâneos Pix estão na mira. Em entrevista ao canal SBT News, Durigan negou que o Pix concorra com empresas estrangeiras que operam no Brasil.
“O Pix não é pensado para ser um produto que vai concorrer e vai diminuir a presença na economia de empresas. Ao contrário, empresas norte-americanas mesmas têm nos dito, e a gente tem levado isso aos Estados Unidos, que o Pix aumentou as transações no País. Então, as empresas estão sendo beneficiadas”, disse o ministro.
Segundo o Globo, Durigan afirmou que o governo avalia dar suporte financeiro a empresas, famílias e ao próprio Pix caso sejam registrados prejuízos decorrentes de atos unilaterais dos EUA. “Caso haja impacto financeiro e prejuízo financeiro injustamente causado por um ato unilateral, é possível pensar em medidas financeiras e econômicas de suporte também”, declarou.
Classificação de facções como terroristas “a troco de quê?”
Outro ponto de tensão na relação bilateral é a decisão americana de classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A medida foi anunciada pela gestão Trump logo após reunião do presidente Donald Trump com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, e foi bem recebida pela oposição.
Para o governo Lula, a iniciativa tem motivação eleitoral. “É inaceitável receber esse tipo de pressão, de intimidação perto do período eleitoral, a pretexto de dizer que se está preocupado com o Brasil e com a higidez do nosso comércio”, afirmou Durigan em entrevista à rádio CBN.
Ele reforçou que o governo brasileiro não abrirá mão do combate às organizações criminosas: “O presidente Lula foi o primeiro a dizer que precisamos aumentar o combate deste tipo de organização criminosa, agora a gente vai colocar isso em risco agora? A troco de quê?”, questionou.
O ministro disse que pretendia contatar autoridades americanas ainda naquela semana para tratar do tema, mas admitiu, mais tarde, não ter nenhuma reunião agendada até o momento.
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