Irã interrompe negociações com os EUA
Teerã vincula retomada das negociações ao fim das ofensivas de Israel no Líbano e em Gaza
O Irã interrompeu as negociações com os Estados Unidos nesta segunda-feira, 1º de junho, após a intensificação das operações militares de Israel no Líbano e na Faixa de Gaza.
O chanceler Abbas Araghchi disse que a trégua com os americanos “é inequivocamente um cessar-fogo em todas as frentes, incluindo no Líbano”.
Mohammad Bagher-Ghalibaf, presidente do Parlamento e negociador-chefe do país, apontou a ofensiva israelense no território libanês e o bloqueio americano a portos como “clara evidência do descumprimento americano”.
No Líbano, as forças israelenses ocupam cerca de um quinto do território e ignoram um cessar-fogo vigente desde abril de 2026. O premier Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, ordenaram bombardeios em Dahiyeh, distrito ao sul de Beirute que serve de base ao grupo terrorista Hezbollah.
Trump, quem diria, tenta conter a crise
O presidente americano Donald Trump afirmou em suas redes sociais ter conversado com Netanyahu e com o Hezbollah — sem detalhar se o contato com o grupo foi direto ou por intermediários — e prometeu que “Israel não os atacará e que eles não atacarão Israel”.
O Hezbollah sinalizou aceitar um “cessar-fogo total em todo o território libanês”, mas o lado israelense indicou que suas tropas “continuarão operando conforme planejado no sul do Líbano”. A embaixada libanesa em Washington esclareceu que a proposta americana se restringe aos arredores da capital.
Em declaração à rede NBC, Trump disse preferir o silêncio à negociação aberta: “Acho que falamos demais, para dizer a verdade”. Horas depois, no Truth Social, contradisse a suspensão iraniana ao afirmar que as conversas “continuam em ritmo acelerado”.
Além de interromper o diálogo, o governo iraniano ameaçou estender o conflito ao Estreito de Bab el-Mandeb, passagem marítima entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden por onde circula parte relevante do comércio global.
A postura de Teerã reforça uma lógica que guia suas decisões desde o bombardeio israelense ao consulado iraniano em Damasco, em abril de 2024: para o regime, os conflitos no Oriente Médio são indissociáveis e exigem uma solução unificada.
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