Nunes chama operação policial de “perseguição política”
Instituto de Karina Gama, produtora de ‘Dark Horse’, recebeu R$ 108 mi da Prefeitura de SP; polícia suspeita de desvio de recursos
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), criticou a operação da Polícia Civil realizada na manhã desta segunda-feira, 1º de junho, nas dependências da administração municipal e na sede da produtora responsável pelo filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para Nunes, a ação tem motivação política e representa, segundo ele, “perseguição política” e um “desrespeito à democracia”.
O inquérito apura possíveis irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), para a implantação de uma rede de Wi-Fi gratuito na cidade. A presidente do instituto, Karina Gama, também é proprietária da Go UP Entertainment, produtora do filme sobre Bolsonaro, roteirizado pelo deputado federal Mario Frias.
Uma das linhas de investigação aponta que recursos desviados do contrato podem ter sido direcionados à produtora.
Agentes chegaram por volta das 8h à Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, no centro de São Paulo, e realizaram buscas em três andares do edifício. Em menos de duas horas, deixaram o local com documentos que, segundo o secretário Humberto Alencar, eram registros públicos acessíveis no portal da Prefeitura e que já haviam sido encaminhados à Delegacia de Investigações sobre Crimes contra a Administração.
Nunes se explica
Segundo a Folha, Nunes recebeu a notícia da operação enquanto se preparava para um evento nas proximidades e optou por se manifestar publicamente. “Se a motivação, conforme vocês estão me dizendo, é por conta do filme, então estão indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa disso. Aí é grave, é perseguição política”, declarou o prefeito.
“O que eu recebi da minha equipe é a afirmação de que não existe absolutamente nada de errado na contratação”, disse o prefeito, que reconheceu a possibilidade de a Polícia Civil dispor de informações desconhecidas pela gestão municipal, mas manteve a posição de que os documentos recolhidos são de acesso público.
Sobre os valores apontados pelos investigadores — que indicam que cada ponto de acesso custou R$ 1.800 no contrato com o ICB, enquanto a estatal municipal Prodam realiza serviços equivalentes por R$ 230 a R$ 306 —, Nunes contestou a comparação.
Ele também defendeu a legitimidade do processo seletivo: “Durante 30 dias somente essa entidade se propôs a fazer esse serviço por esse valor. Não houve pedido de impugnação, questionamento, nenhuma outra entidade quis participar”.
Nunes afirmou que a Prefeitura vai colaborar com as investigações. “Se tiver alguma coisa de errado, eu vou ser o primeiro a tomar as providências”, disse.
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