Motoristas que mexem no celular parado no semáforo deveriam conhecer o Art. 252 do CTB
O risco invisível de desviar a atenção na retenção e o preço de uma multa gravíssima.
Você para no sinal vermelho, o trânsito à frente não se move e o instinto imediato é puxar o smartphone do console para checar uma notificação rápida. A crença popular de que o celular parado no semáforo não oferece perigo esconde uma armadilha legal e financeira pesada detalhada no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Por que o carro imobilizado ainda é considerado em trânsito?
A falsa sensação de segurança ocorre porque o veículo não está em movimento contínuo. No entanto, para a lei de trânsito, parar no semáforo ou em um congestionamento é apenas uma interrupção temporária da marcha. O motor do carro continua ligado, você ainda está na via pública e o ambiente ao seu redor permanece extremamente dinâmico e imprevisível.
O Artigo 252 do CTB, em seu parágrafo único, é implacável com essa conduta. Ele estabelece que segurar ou manusear o telefone celular enquanto se está ao volante é uma infração gravíssima. Na tabela abaixo, um resumo comparativo sobre como a fiscalização enxerga os seus hábitos no trânsito:
| Ação do Motorista | O Que a Maioria Acha | A Regra do Art. 252 |
|---|---|---|
| 📱 MANUSEAR Digitar mensagem |
“É só uma resposta rápida enquanto o sinal não abre” | Infração Gravíssima (7 pontos na CNH e multa) |
| ✋ SEGURAR Aparelho na mão |
“Não estou olhando a tela, só tirei do bolso” | Infração Gravíssima (Basta segurar para ser autuado) |
| 🎧 FONES Áudio nos ouvidos |
“Deixa as mãos livres e não atrapalha a visão” | Infração Média (Proibido usar fones conectados a celular) |
| 🚗 SUPORTE GPS no painel |
“Posso digitar o endereço novo se o carro estiver parado” | Infração se tirar as mãos do volante para digitar |
💡 A legislação de trânsito pune o desvio de atenção, independentemente da velocidade do veículo
Como uma distração pequena vira um acidente bobo e caro?
O cérebro humano demora alguns segundos preciosos para refocar a visão da tela brilhante do aparelho para o asfalto. Nesse intervalo cego, a dinâmica do cruzamento muda completamente. Um pedestre pode decidir atravessar fora da faixa, uma moto pode se posicionar exatamente no seu ponto cego ou o carro da frente pode frear abruptamente após a arrancada.
A maioria das pequenas colisões traseiras nas cidades ocorre exatamente no momento em que o semáforo abre. A pessoa que estava digitando solta o pé do freio por reflexo ao ouvir uma buzina, sem olhar se o veículo adiante realmente avançou. Os resultados práticos dessa desatenção incluem:
- Amassados em para-choques e quebra de faróis, cujo reparo raramente sai por menos da franquia do seguro.
- Risco de atropelamento de ciclistas e motoboys que trafegam nos corredores estreitos.
- Multa gravíssima no valor de R$ 293,47, além da adição de 7 pontos na Carteira Nacional de Habilitação.
- Atraso em cascata no fluxo da via, prejudicando centenas de outros motoristas.
Qual é a única forma legal de usar o aparelho no carro?
Se você precisa reconfigurar o trajeto no GPS ou responder a uma mensagem urgente do trabalho, a regra de ouro é simples: estacione o veículo. Encostar o carro em uma vaga permitida e desligar o motor é a única garantia de que você não está mais caracterizado como um condutor em circulação perante os agentes de trânsito ou radares de fiscalização.
O uso de suportes fixados no para-brisa ou painel é permitido pela lei, desde que o aparelho seja utilizado apenas na função de GPS e você não o manuseie enquanto dirige. Atender chamadas por comando de voz ou pelo sistema Bluetooth do painel não gera infração, pois mantém as suas duas mãos onde elas realmente devem estar.

Leia também: Como consultar pontos da CNH e conferir infrações antes que o prazo passe sem sair de casa
O preço real de um segundo fora do volante
Tratar a olhadinha rápida no semáforo como um comportamento inofensivo é ignorar o fato de que a via pública não perdoa lapsos de atenção. O trânsito exige estado de alerta constante, e tentar dividir a sua carga cognitiva entre um cruzamento movimentado e as redes sociais é uma aposta onde você sempre sai perdendo.
Deixar o celular guardado no console ou no silencioso não é apenas uma forma de evitar o rigor do Art. 252. É um atestado de maturidade de quem entende que nenhuma notificação de aplicativo é mais urgente do que preservar o próprio patrimônio e a vida de quem está atravessando a rua à sua frente.
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