EUA identificam atuação do PCC e do CV em 12 estados americanos
Departamento de Estado afirma que facções brasileiras estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil”
O governo dos Estados Unidos identificou a atuação do PCC e do Comando Vermelho em 12 estados do país, segundo a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson.
Segundo ela, as autoridades americanas consideram que as duas facções brasileiras estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e que suas atividades extrapolam fronteiras nacionais. A declaração foi feita neste sábado, 30, à CNN Brasil.
A representante não detalhou quais estados registram a presença dos grupos. Esses dados, diz a porta-voz, são restritos às autoridades judiciais.
Amanda Roberson afirmou que a atuação das facções inclui crimes como tráfico de drogas, contrabando e lavagem de dinheiro.
Ela disse ainda que o governo Trump continuará usando “todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo as drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos de receita que financiam terroristas violentos”.
Já em entrevista ao Jornal Nacional, a porta-voz acrescentou que as sanções já em vigor incluem restrições de visto e bloqueio de bens nos Estados Unidos.
O PCC e o CV foram incluídos na lista de “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGT), medida que passou a valer de forma imediata. Os grupos também foram enquadrados no processo de classificação como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO), o que ainda depende de etapas formais no Congresso americano.
A designação como FTO permite que os Estados Unidos criminalizem qualquer tipo de apoio material às facções, além de possibilitar bloqueio de ativos e outras sanções financeiras. O Congresso tem prazo de sete dias para analisar a decisão antes de sua publicação oficial.
Governo Trump nega influência de Flávio
Amanda Roberson também afirmou nesta sexta que a decisão do governo Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas não foi influenciada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em entrevista à GloboNews, Roberson foi questionada sobre a atuação de Flávio, que se reuniu com Trump nesta semana e afirmou ter pedido formalmente a inclusão das facções na lista.
A representante americana respondeu que a decisão partiu exclusivamente da Casa Branca.
“A única pessoa que toma decisões pelos Estados Unidos é o presidente Trump e sua equipe, o secretário Marco Rubio”, disse.
Segundo a porta-voz, a medida integra a estratégia do governo americano voltada à segurança nacional e ao combate do narcoterrorismo.
Ela afirmou que PCC e Comando Vermelho estão entre 17 organizações monitoradas pelos EUA em diferentes países da região.
Roberson também rejeitou a possibilidade de interferência americana nas eleições brasileiras.
“O presidente do Brasil é decisão dos brasileiros”, disse.
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