Cientistas rastrearam uma baleia morta a 1.288 metros de profundidade no Pacífico durante 15 anos e acabaram fazendo uma descoberta impressionante no fundo do mar

05.08.2026

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Cientistas rastrearam uma baleia morta a 1.288 metros de profundidade no Pacífico durante 15 anos e acabaram fazendo uma descoberta impressionante no fundo do mar

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5 minutos de leitura 29.05.2026 18:33 comentários
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Cientistas rastrearam uma baleia morta a 1.288 metros de profundidade no Pacífico durante 15 anos e acabaram fazendo uma descoberta impressionante no fundo do mar

Ossos a 1.288 metros de profundidade seguem alimentando bactérias, moluscos e novas formas de vida oceânica

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Cientistas rastrearam uma baleia morta a 1.288 metros de profundidade no Pacífico durante 15 anos e acabaram fazendo uma descoberta impressionante no fundo do mar
Esqueleto de baleia gera ecossistema duradouro no fundo do Pacífico

Em 2009, pesquisadores encontraram o esqueleto de uma grande baleia a 1.288 metros de profundidade no Oceano Pacífico, perto da Ilha de Vancouver. Em vez de registrar e seguir em frente, decidiram voltar ao mesmo local por 15 anos. O que eles documentaram, segundo estudo publicado na Frontiers in Marine Science, foi uma cidade viva se alimentando dos ossos, e ela ainda não parou de crescer.

A baleia que virou um ecossistema no fundo do mar

O esqueleto, provavelmente de uma baleia-azul ou baleia-fin, já havia passado pelos estágios iniciais de decomposição quando foi avistado pela primeira vez. O que interessou aos cientistas foi o que veio depois: o terceiro estágio do processo, chamado de estágio sulfofílico, que persiste há pelo menos 21 anos e, segundo os autores, deve continuar por mais uma década. Isso desafia diretamente previsões anteriores de que essa fase se completa muito mais rápido.

“O que foi tão especial”, disse Fabio De Leo, da Universidade de Victoria, “é que, ao contrário de qualquer estudo anterior sobre carcaças de baleias, conseguimos retornar ao mesmo local e examinar o esqueleto com uma técnica de fotogrametria de precisão em escala centimétrica.” A equipe foi liderada pela Ocean Networks Canada em parceria com a Universidade do Havaí em Manoa, usando veículos operados remotamente (ROVs) em quatro expedições entre 2012 e 2024.

Cientistas estudam estágio sulfofílico prolongado de carcaça de baleia submersa – Crédito: Ocean Networks Canada (ONC) e Ocean Exploration Trust (OET)

Os ossos quase não mudaram em mais de uma década

O crânio e 23 vértebras caudais resistiram com surpreendente firmeza. Segundo os dados publicados na Frontiers in Marine Science, entre 2012 e 2023 as vértebras encolheram em média apenas 1,4%. As mandíbulas sofreram erosão maior, com um fragmento perdendo 7,8% do comprimento. Os autores concluem que o crânio e as vértebras provavelmente persistirão por pelo menos mais uma década a partir da publicação do estudo.

Enquanto os ossos resistiam, os organismos que viviam sobre eles foram se transformando. Os vermes Osedax, conhecidos como vermes-zumbi por perfurarem e consumirem ossos, estavam presentes em 2009. No levantamento mais recente, nenhum havia restado. A hipótese dos pesquisadores é que ficaram sem recursos acessíveis ou foram expulsos pela expansão de tapetes microbianos.

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O que surgiu no lugar dos vermes-zumbi impressionou os cientistas

No lugar dos Osedax, estabeleceu-se uma comunidade inteira, contabilizada pela equipe em 2023 com 31 táxons de megafauna a menos de um metro dos restos. Os organismos identificados no local incluem:

  • 33 vermes tubícolas vestimentíferos da espécie Lamellibrachia cf. barhami
  • Amêijoas vesicomiídeas vivas e mais de 100 conchas vazias da mesma espécie
  • Gastrópodes provannídeos e o gastrópode Neptunea cf. amianta, com 74 indivíduos registrados
  • 36 massas de ovos em formato de torre do Neptunea cobrindo os ossos do crânio, indicando uso ativo como berçário
  • Peixes macrourídeos e caranguejos circulando próximos à mandíbula
Cobertura bacteriana cresce alimentando outras espécies ao redor da carcaça – Crédito: Ocean Networks Canada (ONC) e Ocean Exploration Trust (OET)

As bactérias continuam avançando sobre os ossos

A fase sulfofílica funciona a partir de bactérias que digerem os lipídios retidos dentro dos ossos, liberando compostos de enxofre. Outras bactérias especializadas se alimentam desses compostos em sequência. Os dados do estudo mostram que, entre 2012 e 2023, a cobertura bacteriana nas vértebras subiu de 39,9% para 48,6%, e nos ossos do crânio aumentou de 27,0% para 30,7%, variações consideradas estatisticamente significativas pelos autores.

“Isso significa que os animais especialistas em carcaças de baleias sempre encontrarão um novo lar quando suas larvas forem levadas pela correnteza, já que outras carcaças permanecerão no fundo do mar no mesmo estágio sulfofílico”, disse De Leo em entrevista à Discover Wildlife. O estudo também alerta que as Zonas de Mínimo de Oxigênio no Pacífico Nordeste estão se expandindo e se tornando mais rasas, aprofundando-se até 3 metros por ano em alguns locais. Se os níveis de oxigênio caírem abaixo de 0,33 mililitros por litro, vermes Osedax podem não conseguir colonizar novas carcaças, alterando todo o processo e reduzindo a biodiversidade nesses habitats.

Uma cidade no escuro que reescreve o que sabemos sobre a vida oceânica

O sítio de Clayoquot Slope continua acima do nível crítico de oxigênio e a comunidade sulfofílica segue ativa, se alimentando, se reproduzindo e se expandindo sobre os mesmos ossos descobertos há mais de duas décadas. O crânio ainda está lá. Os tapetes bacterianos ainda crescem. As massas de ovos apareceram, desapareceram parcialmente e voltaram. Nada nesse lugar parece ter pressa.

A lição que esse esqueleto de baleia deixa é maior do que parece: a morte, nas profundezas, não encerra um ciclo. Ela abre outro. Se os oceanos continuam gerando mundos inteiros a partir de um único corpo no escuro, o mínimo que podemos fazer é não apagar a luz antes que eles terminem.

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