A Torre de Jeda voltou a crescer no deserto após 7 anos parada e agora promete ultrapassar 1 km de altura para superar o Burj Khalifa
O megaprojeto saudita combina engenharia extrema, elevadores inéditos e desafios estruturais contra vento e corrosão.
Após sete anos paralisada no deserto saudita, uma das construções mais ambiciosas da história da engenharia voltou a crescer em ritmo impressionante. A Torre de Jeda, planejada para ultrapassar 1 km de altura e se tornar a estrutura mais alta já erguida pela humanidade, já soma mais de 80 andares concluídos em 2025 e avança com um novo pavimento a cada três ou quatro dias. O que era símbolo de fracasso virou o canteiro de obras mais observado do planeta.
Como um projeto bilionário ficou parado por sete anos
A ideia da torre nasceu em 2008 como parte da ambição saudita de criar um ícone arquitetônico global. O projeto arquitetônico foi desenvolvido por Adrian Smith e Gordon Gill, os mesmos responsáveis pelo Burj Khalifa em Dubai. Desde o início, o edifício foi concebido não apenas como um recorde de altura, mas como símbolo econômico, demonstração tecnológica e representação da influência internacional da Arábia Saudita.
Em 2018, as obras foram interrompidas por uma combinação de problemas financeiros, tensões envolvendo o grupo Saudi Binladin e questões políticas internas. Por anos, o projeto foi considerado inviável ou definitivamente abandonado. No final de 2024, porém, novos contratos foram firmados, houve reorganização financeira e o governo saudita voltou a apoiar a obra em larga escala. Em janeiro de 2025, as equipes retornaram ao canteiro.

O desafio de retomar uma estrutura abandonada
Reiniciar um megaprojeto parado por sete anos já seria complexo em qualquer circunstância. Fazer isso com a estrutura mais alta do mundo é algo inédito na história da engenharia. Os engenheiros encontraram uma construção parcialmente erguida que havia ficado exposta ao calor extremo, à umidade do Mar Vermelho e a fortes ventos sem manutenção contínua. Antes de qualquer avanço, foram realizadas auditorias estruturais completas, inspeções profundas no concreto, verificações das fundações e atualizações técnicas. Desde março de 2025, a Turner Construction gerencia o projeto com modelagem 3D, simulações digitais e monitoramento em tempo real.
Os números do canteiro atual impressionam por escala e precisão:
- Mais de 250 mil m³ de concreto já foram despejados na estrutura
- Mais de 50% do trabalho estrutural em concreto já foi concluído
- As fundações contam com mais de 270 estacas profundas, algumas atingindo 110 metros abaixo do solo
- Uma laje de concreto de quase 5 metros de espessura conecta toda a fundação
- O topo utilizará cerca de 80 mil toneladas de aço, substituindo o concreto nos níveis superiores
Por que o vento é o maior inimigo da torre
Acima de 1 km de altitude, o vento deixa de ser inconveniência e passa a ser uma das maiores ameaças estruturais conhecidas pela engenharia civil. Simulações indicam que o topo da Torre de Jeda poderá balançar até 2 metros, enquanto os andares superiores poderão se mover até 1,2 metro. Segundo os engenheiros, esse movimento é planejado: a torre foi projetada para absorver a energia do vento, não para resistir rigidamente a ela.
A base em formato de três pétalas não é apenas estética. Foi desenvolvida para reduzir turbulências, quebrar vórtices de vento e minimizar oscilações ao longo de toda a estrutura. A proximidade com o Mar Vermelho adiciona outro desafio: alta umidade e salinidade criam forte potencial de corrosão, combatido com concretos especiais, estruturas metálicas reforçadas e sensores de monitoramento subterrâneo em tempo real.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Looking 4 (Pr) mostrando o progresso da construção do maior arranha-céu do mundo.
A tecnologia dos elevadores que ninguém tinha construído antes
Sem um sistema de elevadores à altura, a torre seria inutilizável. A solução ficou a cargo da empresa finlandesa KONE, que desenvolverá um sistema de 59 elevadores com tecnologia Ultra Rope, que substitui os cabos de aço convencionais por fibra de carbono. O resultado é menor peso, maior resistência, maior eficiência energética e vida útil mais longa. Os elevadores poderão transportar até 26 pessoas por viagem e operar acima de 36 km/h, organizados por zonas e sky lobbies para distribuir o fluxo de pessoas ao longo da estrutura.
Quando concluída, prevista para agosto de 2028, a torre funcionará como uma cidade vertical com escritórios, mais de 400 apartamentos de luxo, hotel cinco estrelas, restaurantes, spa e piscinas. O destaque turístico será um observatório em balanço a 630 metros de altura, projetado para se tornar o deck de observação mais alto do mundo. A estrutura será pelo menos 173 metros mais alta que o Burj Khalifa, atual recordista mundial. No deserto saudita, a corrida pelo céu nunca esteve tão próxima do teto.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)