Polícia desarticula quadrilha que vendia falsos cursos de IA a idosos
Investigação do Deic identificou grupo com divisão de funções e duas empresas de fachada no setor financeiro
Três pessoas foram presas e seis automóveis de luxo apreendidos nesta segunda-feira, 25, durante uma operação da Polícia Civil de São Paulo contra uma organização criminosa especializada em estelionato contra idosos.
As ações ocorreram simultaneamente na capital paulista, em Mogi das Cruzes e em Santo André, com o cumprimento de onze mandados judiciais — oito de busca e apreensão e três de prisão temporária.
Falsas promessas e empresas de fachada
O esquema era conduzido por meio de duas empresas que atuavam formalmente no mercado financeiro. As vítimas eram contatadas por telefone ou pelas redes sociais e recebiam ofertas de serviços inexistentes: redução de juros, renegociação de dívidas e cursos para uso de aplicativos de Inteligência Artificial que nunca existiram.
O grupo tinha estrutura interna com divisão clara de tarefas e adotava métodos para dificultar a rastreabilidade de seus integrantes.
“O bando se aproveitava da vulnerabilidade das vítimas para criar uma falsa sensação de segurança e credibilidade. Era uma estrutura organizada, com divisão de funções e estratégias para dificultar a identificação dos responsáveis”, afirmou à Agência SP o delegado Fúlvio Mecca, responsável pelo caso.
Investigação e resultados
A apuração ficou a cargo da 2ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e foi desencadeada a partir de denúncias recebidas pelos canais oficiais da Polícia Civil.
Durante os meses de investigação, os agentes realizaram análise de dados, coleta de imagens e diligências de campo até reunir provas suficientes para obter autorização judicial para os mandados.
Além dos três detidos, foram recolhidos para perícia celulares e notebooks. Os veículos apreendidos — ao menos seis de modelo luxuoso — indicam o volume financeiro movimentado pela organização. O perfil predominante das vítimas era de pessoas idosas, consideradas mais vulneráveis a abordagens que simulam credibilidade institucional.
Enquadramento legal
Os crimes investigados se enquadram nas categorias de estelionato e fraude, delitos que compõem o escopo de atuação da DIG responsável pelo caso. A operação desta segunda-feira representa a fase de cumprimento de mandados, etapa que sucede o período de levantamento de provas e antecede o indiciamento formal dos suspeitos.