Cientistas descobriram uma onda de magma oculta que quase provocou uma erupção sob ilha com volume de 32.000 piscinas olímpicas

25.06.2026

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Cientistas descobriram uma onda de magma oculta que quase provocou uma erupção sob ilha com volume de 32.000 piscinas olímpicas

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5 minutos de leitura 26.05.2026 05:53 comentários
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Cientistas descobriram uma onda de magma oculta que quase provocou uma erupção sob ilha com volume de 32.000 piscinas olímpicas

O fenômeno quase provocou uma erupção nos Açores sem deixar sinais visíveis na superfície

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Cientistas descobriram uma onda de magma oculta que quase provocou uma erupção sob ilha com volume de 32.000 piscinas olímpicas
Intrusão magmática silenciosa revelou ameaça vulcânica oculta sob ilha portuguesa

Em março de 2022, a ilha de São Jorge, nos Açores, foi sacudida por milhares de terremotos em poucos dias. O que parecia um alerta sísmico comum escondia algo muito maior: uma onda gigante de magma subindo silenciosamente das entranhas da Terra, volumosa o suficiente para encher 32.000 piscinas olímpicas. A descoberta, publicada na Nature Communications por cientistas do University College London, reescreveu o que se sabia sobre erupções que nunca chegam a acontecer.

Como milhares de terremotos revelaram uma ameaça invisível

A rocha derretida subiu de mais de 20 quilômetros de profundidade em apenas alguns dias, percorrendo grande parte do caminho de forma quase silenciosa e produzindo mínima atividade sísmica. Foi somente ao atingir camadas mais superficiais que os tremores se tornaram frequentes e perceptíveis. O Dr. Stephen Hicks, do Departamento de Ciências da Terra da UCL, explicou que “grande parte de sua jornada foi silenciosa”, ressaltando a dificuldade de prever esse tipo de evento.

Dados de satélite confirmaram que a superfície da ilha se elevou aproximadamente seis centímetros durante a intrusão. O magma parou a apenas 1,6 quilômetro abaixo da superfície, criando o que os cientistas chamam de erupção fracassada: quando a rocha derretida atinge níveis próximos à superfície, mas não rompe a crosta, deixando apenas vestígios geológicos sutis acima do solo.

Milhares de terremotos expuseram movimentação subterrânea intensa próxima da superfície vulcânica

O papel decisivo de uma falha geológica para conter o magma

O estudo identificou a Zona de Falha do Pico do Carvão como a principal via de passagem para o magma ascendente. Em vez de gerar um único terremoto de grande magnitude, a intrusão desencadeou milhares de tremores menores ao longo dessa falha. O Dr. Pablo J. González, do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, descreveu o mecanismo com precisão:

“A falha funcionou tanto como uma rodovia quanto como um vazamento. Ela ajudou o magma a subir, mas também pode ter impedido uma erupção.”Dr. Pablo J. González, Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha

Essa liberação de gases pela falha provavelmente reduziu a pressão dentro da câmara magmática, impedindo que a rocha fundida alcançasse a superfície. A dupla função da estrutura geológica, guiando e ao mesmo tempo freando o magma, demonstra como zonas de falha podem atuar como sistemas naturais de alívio de pressão vulcânica.

Leia também: O segredo de Epicteto: “Nenhum homem é livre se não for senhor de si mesmo”

Como os cientistas mapearam um caminho que ninguém via

Para reconstruir o percurso subterrâneo do magma, a equipe combinou fontes de dados raramente usadas em conjunto. O estudo integrou informações de:

  • Sismógrafos instalados tanto na ilha quanto no fundo do Atlântico
  • Imagens de satélite que registraram a deformação da superfície da ilha
  • Medições de GPS que confirmaram o deslocamento vertical do terreno
  • Análise da frequência e profundidade dos terremotos para traçar a cronologia da atividade

O Dr. Ricardo Ramalho, da Universidade de Cardiff, destacou a importância da abordagem combinada: “Este estudo auxiliou as autoridades locais na avaliação de uma potencial ameaça vulcânica, destacando a importância de combinar dados geofísicos em terra e no mar para a detecção e localização precisas de eventos sísmicos e deformações do solo.” Os mapas resultantes forneceram uma das visões mais detalhadas já obtidas de como o magma se move sob ilhas vulcânicas.

Satélites e sensores submarinos permitiram reconstruir percurso oculto do magma – Crédito: Nature Communications

O que uma erupção fracassada revela sobre a vida dos vulcões

Vulcanólogos enfatizam que o estudo de intrusões magmáticas ocultas é fundamental para compreender a evolução das ilhas vulcânicas ao longo do tempo. Embora essas intrusões nem sempre resultem em erupções, elas desempenham papel central na formação do relevo e na dinâmica interna dos vulcões. O caso de São Jorge mostrou que enormes volumes de magma podem se deslocar sob a superfície da Terra em questão de dias, praticamente sem aviso prévio visível.

O evento também abriu um debate entre especialistas sobre o quão perto a ilha esteve de uma erupção de fato. A linha entre uma intrusão contida e uma erupção completa pode ser tênue, e os dados coletados em 2022 agora servem como referência para monitorar comportamentos similares em outras ilhas vulcânicas do mundo.

Por que São Jorge importa para o futuro do monitoramento vulcânico

A crise sísmica de 2022 nos Açores transformou São Jorge em um laboratório natural para a ciência vulcânica. As ferramentas e metodologias testadas ali, a combinação inédita de sensores submarinos, satélites e GPS, podem agora ser replicadas em regiões vulcânicas de todo o planeta com muito mais precisão do que antes. O estudo publicado na Nature Communications não apenas explicou o que aconteceu sob a ilha, mas entregou ao mundo um modelo de como enxergar o que a Terra esconde.

Se você mora próximo a uma região vulcânica ou simplesmente se preocupa com os riscos geológicos do planeta, acompanhar os avanços desse campo nunca foi tão urgente. O caso de São Jorge prova que o maior perigo não é necessariamente o vulcão que entra em erupção, mas o que avança em silêncio, invisível, metros abaixo dos nossos pés.

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