Enquanto Lula discute 6×1 com Motta, Marinho cobra mudança imediata
Ministro do Trabalho defende redução da jornada para 40 horas sem corte salarial; entidades empresariais alertam para impactos econômicos e aumento de custos
Enquanto o presidente Lula (PT) se reúne nesta segunda-feira, 25, com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir a tramitação da PEC que acaba com a escala 6×1, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, voltou a defender a adoção imediata da medida.
Durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, na quinta-feira, 21, Marinho afirmou que o governo quer o fim “imediato” da escala 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas, sem redução salarial.
“Quero cumprimentar especialmente as mulheres e a juventude que, com seu grito, colocaram a redução em pauta: nós queremos acabar com a escala 6×1 imediatamente”, declarou o ministro.
Segundo Marinho, o Projeto de Lei 1.838/26 prevê duas folgas semanais sem impacto nos salários e acompanha uma tendência internacional de redução da jornada de trabalho. O ministro também argumentou que empresas que já adotaram a escala 5×2 registraram aumento de produtividade e queda no absenteísmo.
“O que aumenta a produtividade é dar tempo ao trabalhador para cursos de qualificação; é baixar os juros”, afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que participou do encontro em Belo Horizonte.
O relator da proposta, Leo Prates, deve apresentar o parecer final nesta segunda-feira, 25. A expectativa do governo é acelerar a votação ainda nesta semana.
A ofensiva do Planalto, porém, enfrenta resistência de entidades empresariais. A Confederação Nacional da Indústria já manifestou preocupação com os impactos econômicos da mudança, afirmando que a redução da jornada sem diminuição proporcional de salários pode elevar custos operacionais e afetar a competitividade das empresas.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo também defendeu cautela na tramitação da proposta e argumentou que setores intensivos em mão de obra podem enfrentar dificuldades para absorver a mudança sem aumento de preços ou redução de postos de trabalho.
Representantes do comércio e de pequenas empresas afirmam ainda que a alteração pode pressionar a contratação de funcionários extras e elevar despesas trabalhistas em segmentos que operam continuamente, como supermercados, restaurantes e serviços.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)