Flávio Bolsonaro, ‘Dark Horse’, Datafolha e um novo efeito teflon?
Rodada da pesquisa Datafolha mostra que o filho do ex-presidente manteve boa parte dos votos espontâneos, algo importante
A nova pesquisa Datafolha produziu, à primeira vista, uma manchete óbvia: o presidente Lula (PT) abriu vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a revelação do escândalo “Dark Horse” e das mensagens trocadas entre o parlamentar e o banqueiro tóxico Daniel Vorcaro.
O petista aparece agora com 40% no primeiro turno, contra 31% do filho do ex-presidente, e vence o confronto direto por 47% a 43%.
Mas política não é campeonato de nado sincronizado; quem olha apenas para a superfície perde o movimento subterrâneo da água. E há um dado muito mais importante escondido sob a espuma das manchetes: Flávio cristalizou um núcleo de voto espontâneo que nenhum outro nome da direita conseguiu construir até aqui. Isso muda o jogo. E joga a favor de Flávio.
O eleitor espontâneo não é aquele que responde ao instituto depois de ouvir uma lista de nomes e quer se livrar logo do pesquisador. É o eleitor que já chega à sondagem com um candidato na cabeça — quase como um reflexo condicionado. Em qualquer campanha política, esse voto vale ouro. É o voto mais resistente a escândalos, a fact-checkings histéricos, a editoriais indignados e até à sucessão diária de “crises definitivas”.
Vamos aos números: em março, Flávio marcava 12% na espontânea; cresceu para 16% em abril; subiu para 18% na primeira semana de maio e crava agora 17%. Ou seja, oscilou dentro da margem de erro. Isso em meio a um escândalo de proporções bíblicas.
O PT até comemorou os números. Mas estamos diante de uma bala de prata? Ainda não. Existe enorme diferença entre perder pontos conjunturais e perder estrutura eleitoral. O escândalo atingiu Flávio? Óbvio. Porém não destruiu seu piso político. E eleições presidenciais, especialmente polarizadas, raramente são vencidas por quem sobe mais rápido; geralmente são decididas por quem cai menos.
O fenômeno é ainda mais relevante porque o restante da direita continua no estágio vegetativo das “alternativas viáveis”, embora tenham crescido. Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) seguem seu calvário. Precisam achar uma forma de furar a bolha do bolsonarismo ou de concentrar os votos de Centro.
O maior problema de Flávio é conseguir chegar aos indecisos. E aqui está o X da questão. Um espectro político sozinho não vence eleição. Flávio concentra praticamente todos os votos da direita, mas ainda precisa convencer o centro de que votar nele seria uma boa ideia.
No fim, a pesquisa da Folha talvez revele menos uma arrancada triunfal de Lula e mais uma constatação inquietante: Flávio continuou de pé – uma espécie de efeito teflon. Em Brasília, todos sabem que aparecerão mais revelações do caso “Dark Horse” para minar a imagem do senador. Mas esses novos fatos serão suficientes para minar essa candidatura? Numa eleição marcada por rejeições mútuas e fidelidades emocionais, permanecer de pé já é metade da vitória.
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Comentários (1)
Infelizmente Gado é Gado. De um lado ou outro eles são cegos , surdos e mudos mentalmente.