Agricultor do Ceará que encontrou petróleo no quintal recebe propostas milionárias pela propriedade
O homem que foi buscar água, achou petróleo e recusou todas as ofertas.
O agricultor Sidrônio Moreira, 63 anos, perfurou dois poços no Sítio Santo Estevão, na zona rural de Tabuleiro do Norte, em busca de água para os animais e encontrou petróleo cru a menos de 30 metros de profundidade. A ANP confirmou a descoberta em 19 de maio de 2026, e quatro propostas de compra do terreno já chegaram, todas recusadas.
Como Sidrônio encontrou petróleo quando buscava água?
O agricultor Sidrônio Moreira gastou R$ 15 mil em empréstimos para perfurar um poço de água no Sítio Santo Estevão, zona rural de Tabuleiro do Norte, e encontrou petróleo cru a 30 metros de profundidade. A perfuração foi feita em novembro de 2024, após a adutora local perder pressão e deixar os animais sem abastecimento.
Em novembro de 2024, na tentativa de garantir água para os animais, o agricultor fez um empréstimo de R$ 15 mil para perfurar poços no terreno. Ao atingir mais de 40 metros de profundidade na primeira tentativa, os trabalhadores encontraram um líquido escuro, viscoso, inflamável e com forte odor no lugar do lençol freático. Uma segunda perfuração foi feita a cerca de 50 metros de distância, mas, aos 23 metros de profundidade, a mesma substância voltou a aparecer, levando à suspensão definitiva das escavações.

O que a ANP confirmou sobre o petróleo e o que acontece agora?
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis confirmou que a substância encontrada é petróleo pesado, com mistura majoritária de hidrocarbonetos contendo níquel e vanádio, segundo relatório de ensaio laboratorial encaminhado à família. A confirmação transformou o que parecia um acidente de perfuração numa descoberta com potencial geológico real.
A partir do resultado da análise, a ANP abriu um processo administrativo para examinar a área e uma possível inclusão do terreno a um bloco exploratório na Oferta Permanente de Concessão, principal modalidade atual de licitações de áreas para exploração e produção de petróleo e gás. No entanto, não há prazo estabelecido para a conclusão dessa avaliação técnica pela ANP. O processo pode levar anos e não garante exploração comercial.
As etapas que ainda precisam ocorrer antes de qualquer exploração no sítio:
- Conclusão da avaliação técnica pela ANP, sem prazo definido e sem garantia de resultado positivo.
- Aprovação por órgãos ambientais e ministérios envolvidos no processo de concessão de blocos.
- Inclusão formal da área em edital da Oferta Permanente de Concessão, que exige diversas etapas internas.
- Contratação de empresa petrolífera para realizar estudos sísmicos e confirmar a viabilidade comercial da jazida.
- Definição dos termos de uso da propriedade e das indenizações ao dono do terreno em caso de exploração.
Sidrônio pode ficar rico com o petróleo sem vender o terreno?
O agricultor não detém a posse do material encontrado. No entanto, caso a viabilidade comercial da jazida seja confirmada e a exploração inicie, a legislação garante que o dono da propriedade receba uma participação que varia entre 0,5% e 1% do valor da produção realizada no local, além de indenizações em caso de necessidade de uso da área para instalação de infraestrutura.
O petróleo no subsolo pertence à União, não ao dono do terreno. A legislação brasileira é clara nesse ponto. O proprietário tem direito à participação sobre a produção e a indenizações pelo uso da terra, mas o recurso mineral em si nunca foi dele, independentemente de quem perfurou o poço.
| Evento | Detalhe |
|---|---|
| Perfuração dos poços | Novembro de 2024 |
| Custo do empréstimo para perfurar | R$ 15 mil |
| Profundidade do primeiro achado | Menos de 30 metros |
| Confirmação da ANP | 19 de maio de 2026 |
| Propostas de compra recebidas | Pelo menos quatro, todas recusadas |
| Participação legal do proprietário | Entre 0,5% e 1% da produção |
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Por que Sidrônio recusou todas as propostas de compra?
Sidrônio foi direto ao ser questionado sobre as ofertas: “Já apareceram compradores de todo jeito, mas não vendo nada. Por que eu vou vender uma coisa de que eu estou precisando? Para começar, quem vem comprar quer comprar barato. Aí, barato por barato, eu fico com ele aqui, pelejando. Quando eles ligam para mim, se oferecendo, eu nem converso. Eu não sei o que há debaixo do chão. Pode ter coisa de valor e pode não ter.”
A lógica de Sidrônio é precisa: vender agora é apostar que o comprador sabe mais do que ele sobre o que está embaixo do solo. A família, que antes tinha uma renda de cerca de R$ 2.000 a partir da produção, precisou parar de plantar após a descoberta, devido à proximidade dos campos aos poços e à falta de água. A descoberta que poderia resolver tudo criou um novo problema imediato: a família perdeu a fonte de renda enquanto espera um processo que a ANP não tem prazo para concluir. Segundo a história do petróleo no Brasil, entre encontrar petróleo e iniciar produção comercial, passam-se anos e, muitas vezes, décadas.
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