Alerj rebate falas de Lula sobre “milícia organizada”
Em evento na Fiocruz, presidente disse que escolha do governador pelo Legislativo poderia levar à indicação de um “miliciano”
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) reagiu às declarações do presidente Lula (PT) sobre o Parlamento fluminense, feitas durante evento na Fiocruz, no Rio, no sábado.
Em nota, a Casa afirmou que “respeita as instituições e espera o mesmo respeito por parte de todas as autoridades do país, inclusive do Presidente da República”.
A manifestação ocorreu após Lula dizer, em discurso, que a escolha do governador do estado poderia resultar na indicação de um “miliciano” caso passasse pela Assembleia.
A Alerj é presidida pelo deputado Douglas Ruas (PL), aliado da família Bolsonaro.
No comunicado, a Assembleia classificou como “inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro”.
A Casa acrescentou: “A Alerj é uma instituição democrática, legítima e merece respeito”.
O Legislativo estadual também afirmou que o Rio enfrenta “desafios históricos na segurança pública”, e citou fatores como “a ausência de políticas nacionais eficazes de combate ao tráfico de armas, às fronteiras abertas ao crime organizado e à expansão das facções criminosas em todo o país”.
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O que Lula disse?
Lula afirmou neste sábado que o governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, deve trabalhar para prender “ladrões” e integrantes de “milícia organizada” ligados à política fluminense.
Ricardo Couto assumiu o governo do Rio em março, após a renúncia de Cláudio Castro (PL). Desembargador e presidente licenciado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ele ocupa o cargo interinamente até a eleição de outubro.
Durante o discurso, o petista disse que o Rio de Janeiro não pode continuar associado ao crime organizado e citou a tentativa frustrada de realização de uma eleição indireta na Assembleia Legislativa para definir o sucessor de Castro.
“Eu falei: ‘Se a Assembleia indicar, vai vir o mesmo’. Ia vir um miliciano”, disse Lula ao comentar o processo de sucessão no governo estadual.
O petista também afirmou que Ricardo Couto tem a oportunidade de promover mudanças no estado durante o período em que permanecer no cargo. Segundo Lula, o governador interino pode “fazer o que muita gente não fez em dez anos neste estado”.
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