Após 1.600 anos submersos, arqueólogos resgatam blocos de 80 toneladas de uma das Sete Maravilhas do mundo antigo
O resgate que recolocou uma maravilha perdida no mapa da arqueologia mundial.
Arqueólogos retiraram do fundo do Mar Mediterrâneo 22 blocos monumentais do Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. As peças, com peso individual entre 70 e 80 toneladas, estavam submersas há cerca de 1.600 anos no porto oriental do Egito e revelam detalhes da engenharia que nenhum registro histórico havia preservado.
Por que o Farol de Alexandria está no fundo do mar há 1.600 anos?
O Farol de Alexandria foi construído entre 280 e 247 a.C., na ilha de Faros, durante o período helenístico. Com altura estimada acima de 100 metros, servia como referência essencial para navios que entravam em um dos portos mais movimentados do mundo antigo. Funcionou por mais de um milênio como o guia definitivo dos navegadores que cruzavam o Mediterrâneo.
Destruído por terremotos no século XIV, o Farol de Alexandria ressurge através de seus escombros. As ruínas submersas eram visíveis desde 1968, mas foi apenas em 1994 que o arqueólogo francês Jean-Yves Empereur conduziu a primeira exploração sistemática em larga escala, documentando mais de 3.300 objetos dispersos pelo leito do porto. Entre eles, esfinges, obeliscos, colunas e blocos de granito de dimensões colossais.

O que exatamente foi resgatado e o que esses blocos revelam?
Os blocos resgatados não são simples pedaços de rocha. Entre os materiais identificados estão dintéis, jambas, umbrais estruturais e lajes de pavimento que compunham a entrada monumental do farol. Cada peça é feita de granito maciço ou pedra calcária bruta, materiais escolhidos pela resistência à salinidade e ao peso da própria estrutura.
Entre os elementos resgatados destaca-se a descoberta de partes de um pílone com porta de estilo egípcio do período helenístico, monumento até então completamente desconhecido pelos pesquisadores. Os novos blocos serão escaneados em terra e devolvidos ao fundo do mar, preservados no local de origem onde estiveram submersos por mais de 16 séculos.
Os tipos de peças retiradas do porto de Alexandria na operação de julho de 2025:
- Dintéis e jambas monumentais da entrada principal, com pesos individuais entre 70 e 80 toneladas.
- Soleira e grandes lajes de pavimento pertencentes ao piso original do farol.
- Partes de um pílone com porta de estilo egípcio do período helenístico, estrutura inédita.
- Blocos de granito maciço com marcas de corte e encaixe que revelam técnicas construtivas da época.
- Fragmentos arquitetônicos que confirmam dimensões reais da base da estrutura.
O que é o Projeto PHAROS e qual é seu objetivo real?
O resgate faz parte do Projeto PHAROS, uma cooperação internacional que reúne o CNRS, Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito e a Fundação Dassault Systèmes. O objetivo vai além de tirar pedras da água: a iniciativa pretende reconstruir digitalmente o Farol de Alexandria com base nos fragmentos resgatados e em registros históricos.
Com os dados coletados pelo Projeto PHAROS, qualquer pessoa poderá percorrer uma versão digital do Farol de Alexandria em realidade virtual, bloco por bloco, do chão até o topo. Os 22 blocos resgatados em 2025 somam-se a um acervo de mais de 100 fragmentos já modelados ao longo da última década. A operação foi liderada pela arqueóloga e arquiteta Isabelle Hairy, do CNRS.
| Marco | Detalhe |
|---|---|
| Construção | Entre 280 e 247 a.C., ilha de Faros |
| Altura estimada | Entre 100 e 140 metros |
| Destruição | Terremotos nos séculos XIII e XIV |
| Primeira exploração sistemática | 1994, por Jean-Yves Empereur |
| Blocos resgatados em 2025 | 22 peças de 70 a 80 toneladas cada |
| Fragmentos já escaneados | Mais de 100 modelos 3D gerados |
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O que ainda falta para completar a reconstrução digital do farol?
Muitas peças ainda permanecem submersas, aguardando exploração segura e aprovação orçamentária. A abordagem cuidadosa garante que a sociedade global possa conhecer e estudar a engenharia e história excepcionais do Farol de Alexandria. Tirar blocos de 80 toneladas do fundo do mar sem danificá-los exige planejamento que não se improvisa entre campanhas.
A limitação real do projeto é clara: o Farol de Alexandria jamais será reconstruído fisicamente. O que o Projeto PHAROS entrega ao mundo é algo diferente: uma réplica digital navegável, construída bloco a bloco com precisão milimétrica, que qualquer pessoa poderá percorrer em realidade virtual. Para uma maravilha que existiu por mais de mil anos e desapareceu há seis séculos, isso é a forma mais próxima de ressurreição que a arqueologia pode oferecer.
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