Deolane tem relação direta com família de Marcola, diz promotor
Segundo Lincoln Gakiya, influenciadora será denunciada por lavagem de dinheiro e organização criminosa
O promotor Lincoln Gakiya afirmou que a influenciadora Deolane Bezerra (foto) mantinha relação próxima com familiares de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC. Segundo Gakiya , a ligação ficou evidente durante as investigações da operação Vérnix, que levou à prisão da influenciadora na última quinta-feira.
Em entrevista à Folha, Gakiya disse que Deolane tinha “relação direta com a família Camacho” e amizade com integrantes da cúpula da facção, incluindo Paloma e Alexandro, filhos de Alejandro Juvenal Herbas Camacho, irmão de Marcola. Os dois também foram indiciados.
As investigações apontam que Deolane e Paloma viveram no mesmo bairro, em casas próximas, além de terem passado dois meses na Europa no mesmo período.
Segundo o Ministério Público, a influenciadora teria fornecido contas para lavagem de dinheiro do grupo criminoso, acusação negada pela defesa.
“Nos causou estranheza pelo aumento repentino do seu patrimônio em ganhos superiores a R$ 140 milhões em dois anos. Já está provado que os ganhos são incompatíveis com as atividades que ela realiza. Ela será denunciada por mim por participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro”, disse o promotor.
Prisão mantida
Deolane foi presa em Barueri, na Grande São Paulo, após retornar da Itália.
Segundo a investigação, ela chegou a ser monitorada pela Interpol durante a viagem à Europa. Nesta sexta-feira, a influenciadora foi transferida para uma unidade prisional no interior paulista.
Durante audiência de custódia, Deolane chorou e afirmou ter sido presa “no exercício da profissão”.
“À época dos fatos, eu advogava. É um processo bem antigo, de 2019, 2020. Quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, que eu fui presa por estar advogando”, disse.
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Depósitos do PCC
Os investigadores identificaram Deolane Bezerra como recebedora de dinheiro do PCC.
A facção fazia depósitos em espécie para a influenciadora por meio da transportadora de cargas.
Em sua conta física, Deolane recebeu 1.067.505,00 reais em depósitos fracionados abaixo de 10 mil reais entre 2018 e 2021.
Segundo a polícia, o intermediador era Everton de Souza, o Player, que também foi preso na quinta.
As investigações o apontam como operador financeiro da organização.
Mensagens interceptadas pelos investigadores mostram Player dando orientações sobre distribuição de dinheiro da transportadora de cargas controlada pela família de Marcola e indicando contas de destino.
Os investigadores também apontaram irregularidades em cerca de 50 depósitos feitos a duas empresas de Deolane, no valor total de 716 mil reais.
As transferências foram feitas por uma empresa que se apresenta como banco de crédito, mas tem um morador da Bahia que recebe em torno de um salário mínimo ao mês como responsável.
Para os investigadores, a falta de identificação desses créditos nas contas de Deolane e de suas empresas apontam para mais um indício de ocultação e/ou dissimulação de recursos do PCC.
A Justiça determinou o bloqueio de 27 milhões de reais em nome de Deolane Bezerra.
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Comentários (1)
Basta trabalhar arduamente para conquistar 140 milhões. Deolane deve ser muito competente. Ainda mais advogando para pessoas tão ricas e inocentadas por ela.