Kevin Warsh assume o Fed com inflação alta e pressão de Trump
Posse do novo presidente da autoridade monetária na Casa Branca expõe tensão entre expectativas do mercado e da política
O economista Kevin Warsh foi empossado presidente do banco central dos Estados Unidos nesta sexta-feira, 22, em cerimônia realizada na Casa Branca pelo presidente Donald Trump.
Warsh herda uma instituição pressionada por indicadores de inflação em alta e por expectativas do mercado financeiro que apontam para um aumento das taxas de juros — tendência que contraria as preferências públicas de Trump por crédito mais barato.
Um Fed “totalmente independente” — apesar de Trump?
A cerimônia de posse na Sala Leste da Casa Branca reuniu membros do Congresso e do governo, entre eles o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o presidente da Câmara, Mike Johnson, e o líder da maioria no Senado, John Thune. O evento marcou a primeira posse de um presidente do Fed na Casa Branca desde Alan Greenspan, que comandou a instituição de 1987 a 2006.
Trump afirmou que quer Warsh “totalmente independente”, mas o histórico recente do presidente inclui críticas públicas ao antecessor Jerome Powell, a quem cobrava cortes de juros. Durante a cerimônia, o republicano declarou: “Queremos parar a inflação, mas não queremos parar o crescimento”.
Warsh, que governou o Fed entre 2006 e 2011, cumpre agora mandato de quatro anos como 17º presidente do conselho de governadores do banco central americano.
Primeira reunião do FOMC será teste imediato
A estreia de Warsh à frente do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que define as taxas de juros nos EUA, está prevista para meados de junho.
O economista Steven Blitz, da TS Lombard, avalia que Warsh não terá margem para adiar uma decisão: “Deixar de aumentar os juros em junho, mesmo que o crescimento permaneça teimosamente estável e longe de disparar, mas com o risco de inflação ampla em alta, é, na prática, uma flexibilização”.
Christopher Waller, diretor do Fed e um dos cotados para assumir a presidência da instituição, declarou que concorda com outros formuladores de política que defendem o abandono da chamada “tendência” de flexibilização das taxas.
Waller ponderou, no entanto, que essa posição não significa “que devemos considerar aumentos de taxas no futuro próximo”, condicionando eventuais altas a uma “desancoragem” das expectativas de inflação.
A ata da reunião de abril do FOMC, divulgada na semana passada, mostrou que “muitos” dirigentes compartilham essa visão, em uma das maiores divergências internas da instituição desde outubro de 1992.
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