Ceará amplia acesso ao ensino superior e lidera participação da rede pública no Enem
Estado estruturou rede de apoio que vai da inscrição ao ingresso universitário
Historicamente, o ingresso no ensino superior no Brasil funciona como um funil de desigualdades que trava o potencial de jovens talentos. Para o aluno da rede pública, a barreira costuma ir muito além do conteúdo da prova: envolve obstáculos burocráticos e logísticos, como a falta de documentos básicos e o custo do deslocamento, além da pressão financeira que muitas vezes força o abandono escolar.
No Ceará, a estratégia para furar esse bloqueio foi tratar o acesso ao exame como uma operação logística de larga escala. O estado isolou as variáveis que impediam a participação do estudante e os resultados apareceram nos dados do MEC: em 2025, o Ceará alcançou 96,87% de inscritos entre os estudantes concluintes da rede pública, totalizando 104.250 jovens. O índice coloca o estado na liderança nacional, à frente de Alagoas (92,84%) e Goiás (91,49%).
Uma operação que começa antes da prova
A engrenagem por trás desse desempenho é o programa Enem Chego Junto, Chego Bem. O projeto atua em frentes críticas antes mesmo do exame, começando com a garantia de documentação oficial e isenção da taxa de inscrição para 100% dos alunos. A operação culmina na iniciativa #Enemvoudoisdias, que viabiliza o transporte dos inscritos e oferece pontos de apoio com kits de alimentação e água nos domingos de prova.
Tecnologia e Permanência
O suporte ao aluno não termina no dia da prova. Para garantir competitividade, o estado investiu na digitalização do ensino:
• Conectividade: entre 2024 e 2025, foram adquiridos 338.072 tablets. O investimento de R$ 149,6 milhões inclui chips de conectividade para garantir o aprendizado dentro e fora da escola.
• Incentivo financeiro: o programa Pé-de-Meia beneficia 272.234 estudantes da rede estadual. A “poupança” educacional paga R$ 200 mensais e um bônus de R$ 1.000 ao fim de cada ano concluído, podendo totalizar R$ 9.200 por aluno.
Tempo Integral e Qualidade
A estrutura física também recebeu um upgrade. Hoje, o Ceará possui 613 escolas em tempo integral. Considerando as unidades aptas ao modelo, o estado já atingiu 88,5% da rede nesta modalidade, com a universalização já concluída em 148 municípios.
O resultado dessa gestão focada em metas aparece nos indicadores nacionais:
• Ideb: o estado detém o melhor ensino fundamental do país e o terceiro melhor ensino médio.
• Alfabetização: único estado do país a superar, pelo terceiro ano consecutivo, a meta da alfabetização na idade certa, com mais de 84% das crianças alfabetizadas.
Com o uniforme escolar garantido para todos os cerca de 380 mil alunos e um corpo docente que soma mais de 4 mil mestres e doutores, o Ceará deixa de ser apenas uma exceção regional para se tornar referência de eficiência na educação pública brasileira.
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