Suplente de Alcolumbre é indiciado em investigação sobre fraudes no DNIT
PF aponta esquema de direcionamento de contratos e saques milionários no Amapá; defesa nega irregularidades
A Polícia Federal indiciou nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, o empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no âmbito de uma investigação que apura fraudes em licitações do DNIT no Amapá.
Segundo a PF, o empresário é suspeito de integrar um núcleo responsável pelo direcionamento de contratos públicos no DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e pela movimentação de valores expressivos em espécie, que ultrapassariam R$ 3 milhões ao longo do período investigado.
Em um dos episódios citados no inquérito, Breno teria sido flagrado saindo de uma agência bancária com R$ 350 mil em dinheiro vivo. Na sequência, segundo os investigadores, ele entrou em um veículo ligado a familiares de Alcolumbre — ponto que passou a ser apurado pela corporação.
A PF também indiciou o superintendente regional do DNIT no Amapá, Marcello Linhares. Mensagens interceptadas indicariam tratativas sobre contratos, obras e liberação de recursos, além de pedidos de articulação política para destravar empenhos.
As apurações tiveram início a partir de denúncias envolvendo ao menos quatro licitações ligadas à BR-156, principal rodovia do estado. Relatórios da Controladoria Geral da União apontaram indícios de atraso nas obras, possíveis sobrepreços e movimentações financeiras consideradas atípicas.
A PF afirma ainda que os saques em espécie ocorriam logo após pagamentos de contratos públicos, o que pode indicar, segundo os investigadores, tentativa de ocultação da origem dos recursos.
Em nota, o senador afirmou não ter qualquer relação com a atuação empresarial do suplente e disse não interferir em contratos ou decisões administrativas do DNIT. A defesa de Breno Chaves Pinto também nega irregularidades e afirma que o processo tramita sob sigilo.
Eis a íntegra da nota da assessoria de Alcolumbre:
“Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) não possui qualquer relação com a atuação empresarial de seu segundo suplente, tampouco interfere em contratações ou decisões administrativas do DNIT.
O senador responde apenas pelos próprios atos, não tendo responsabilidade por alegações envolvendo terceiros ou conversas privadas sem comprovação de irregularidade.
A própria apuração reconhece não haver indícios de participação do parlamentar nos fatos investigados.
Caso haja confirmação de qualquer irregularidade, os responsáveis devem ser rigorosamente punidos na forma da lei.”
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