Mais de 300 geoglifos escondidos no deserto de Nazca foram revelados por inteligência artificial quase 2 mil anos depois
As figuras, antes despercebidas pela erosão e pela escala, surgiram a partir da análise automatizada de imagens de alta resolução
Em uma faixa de deserto no sul do Peru, mais de 300 novos geoglifos em Nazca foram identificados com auxílio de inteligência artificial, quase dois mil anos após terem sido traçados no solo.
As figuras, antes despercebidas pela erosão e pela escala, surgiram a partir da análise automatizada de imagens de alta resolução. O estudo, publicado na PNAS, redefine a forma de mapear e preservar esse patrimônio arqueológico.
O que são as linhas e os novos geoglifos de Nazca?
As Linhas de Nazca formam um conjunto de geoglifos gigantes esculpidos pela remoção de pedras escuras, revelando o solo mais claro. Entre eles há traços geométricos, figuras de animais, formas humanas e símbolos cuja função ainda é debatida pela arqueologia.
Os 303 novos geoglifos identificados incluem animais, silhuetas humanas e elementos geométricos menores e mais discretos. Muitos só são plenamente visíveis de grandes altitudes ou de colinas naturais, o que explica terem permanecido ocultos por tanto tempo.
Newly discovered Nazca lines, found with the help of AI. Outlined for clarity. Peru, 100 BC-650 AD
— Fascinating (@fasc1nate) May 3, 2026
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Como a inteligência artificial identificou mais de 300 novas figuras?
A inteligência artificial aplicada à arqueologia foi treinada com milhares de imagens de geoglifos conhecidos e áreas sem desenhos. Assim, aprendeu a distinguir padrões sutis de contraste, textura e forma, mesmo quando os traços estão desgastados.
O processo combinou imagens de drones, fotografias aéreas e dados de satélite em alta resolução. Para explicar a sequência de etapas empregadas pelos pesquisadores, é possível sintetizar o fluxo de trabalho da seguinte forma:
Aquisição de dados brutos por imagens orbitais, fotografias aéreas (UAVs) e LiDAR para mapear micro-relevos ocultos.
Uso de redes neurais convolucionais (CNNs) treinadas para identificar e segmentar padrões geométricos e anomalias no solo.
Filtro de falsos positivos por especialistas em laboratório (visão em tela) e campanhas de checagem in loco (*ground truth*).
Inserção das coordenadas georreferenciadas e metadados visuais em Sistemas de Informação Geográfica (SIG) para preservação.
O que os novos geoglifos revelam sobre a cultura Nazca?
A descoberta amplia a compreensão sobre rituais, circulação de pessoas e organização social entre 100 a.C. e 300 d.C. Comparar estilos, técnicas e temas permite formular hipóteses mais sólidas sobre as funções cerimoniais, territoriais ou de orientação das figuras.
Alguns geoglifos parecem se alinhar a rotas de deslocamento e pontos de observação em colinas. Outros podem marcar áreas rituais ou recursos escassos no deserto, sugerindo uma relação complexa entre simbolismo, paisagem e sobrevivência.
Por que a combinação de IA e sensoriamento remoto é estratégica?
A erosão natural, a expansão urbana e atividades ilegais ameaçam apagar geoglifos ainda desconhecidos. A IA acelera a localização dessas marcas, permitindo planejar medidas de proteção antes que sejam danificadas irreversivelmente.
O método testado em Nazca serve de modelo para desertos, florestas e montanhas em outros países. Técnicas semelhantes já auxiliam na busca por ruínas, caminhos antigos e estruturas agrícolas ocultas sob vegetação densa ou sedimentos.
The many enigmas of the Nazca Lines pic.twitter.com/uLMEQ6ZtFI
— Megalithic Marvels (@derek__olson) April 13, 2026
Quais são os próximos passos nas pesquisas com Nazca e IA?
Os pesquisadores pretendem treinar modelos com exemplos mais apagados e deformados, aumentando a sensibilidade das detecções. A meta é criar mapas interativos que integrem topografia, clima, imagens multiespectrais e dados arqueológicos.
No campo, as equipes focam na documentação detalhada de cada figura, medindo proporções, alinhamentos e estado de conservação. Parte dessas informações deve ser disponibilizada em plataformas abertas, favorecendo a colaboração internacional e o monitoramento contínuo da região.
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