Meta encerra disputa judicial sobre vício em redes sociais nos EUA
Exposição coletiva das big techs em processos escolares pode ultrapassar US$ 400 bilhões
A Meta anunciou nesta quinta-feira, 21, ter “resolvido de forma amigável” um processo movido por distritos escolares americanos, que responsabilizavam o Instagram e outras plataformas de mídia social por danos ao aprendizado e pelo agravamento de uma crise de saúde mental entre jovens. O depoimento do CEO Mark Zuckerberg e de outros executivos foi dispensado.
O último réu a ceder
A Meta era a única empresa ainda exposta ao julgamento depois que Snap, YouTube e TikTok firmaram acordos semelhantes na semana anterior. O caso-piloto envolvia ações movidas pelo Distrito Escolar do Condado de Breathitt, no Kentucky.
Os valores acertados pela Meta não foram divulgados nos documentos judiciais, mas a Bloomberg Intelligence estimou que o conjunto de processos semelhantes ainda em curso pode representar uma “responsabilidade coletiva teórica de quase US$ 400 bilhões” para as empresas de tecnologia.
Em comunicado, os advogados dos autores afirmaram: “Nosso foco continua sendo buscar justiça para os 1.200 distritos escolares restantes que entraram com ações”.
Próximas batalhas judiciais
O acordo não encerra a sequência de litígios que cercam a Meta. Segundo informações do processo, o próximo julgamento-teste, desta vez escolhido pelos autores da ação, terá como foco o Distrito Escolar de Tucson, no Arizona, com data prevista para fevereiro de 2027.
Além disso, um processo movido por dezenas de procuradores-gerais estaduais deve ir a julgamento em agosto — e, diferentemente das ações por indenização, uma derrota nesse caso poderia obrigar a empresa a alterar o funcionamento de seus produtos.
O ano de 2026 já acumula resultados adversos para a companhia. Em janeiro, um júri em Los Angeles condenou a Meta e o Google a pagar US$ 6 milhões por danos a uma usuária de 20 anos considerada viciada em plataformas digitais. Em março, a Meta perdeu outro processo no Novo México, relacionado à proteção de crianças contra predadores on-line, com penalidade fixada em US$ 375 milhões.
Em nota, um porta-voz da empresa declarou: “Resolvemos este caso de forma amigável e seguimos focados em nosso trabalho de longa data para desenvolver proteções como as Contas para Adolescentes, que ajudam jovens a permanecerem seguros on-line, ao mesmo tempo em que oferecem aos pais controles simples para apoiar suas famílias”.
A diretora financeira Susan Li reconheceu, em teleconferência com investidores, que a companhia enfrenta “escrutínio sobre questões relacionadas aos jovens” e que os julgamentos previstos “podem acabar resultando em perdas materiais”.
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