Senado aprova medida que pode forçar Trump a encerrar guerra
Resolução tem apoio de quatro republicanos e obriga presidente a pedir aval do Congresso ou encerrar conflito de vez
Quatro senadores republicanos se aliaram à maioria democrata nesta terça-feira, 19, para aprovar, por 50 votos a 47, o avanço de uma resolução que imporia ao presidente Donald Trump a obrigação de encerrar as operações militares contra o Irã ou conseguir autorização do Legislativo para prosseguir com o conflito, já em seu terceiro mês.
A votação no Senado americano marca a primeira vez que o bloco governista não conseguiu bloquear a medida, abrindo caminho para debate e votação definitiva nas próximas semanas.
Deserções no campo republicano
Segundo o The New York Times, o senador Bill Cassidy, da Louisiana — que perdeu as primárias do partido no fim de semana após críticas públicas de Trump —, foi o voto mais recente a migrar para o lado democrata. Cassidy declarou que o governo havia “deixado o Congresso no escuro sobre a Operação Fúria Épica”, nome dado pela administração à campanha militar contra a República Islâmica.
“Na Louisiana, ouvi relatos de pessoas, incluindo apoiadores do presidente Trump, que estão preocupadas com esta guerra”, afirmou em comunicado. “Até que o governo esclareça a situação, nenhuma autorização ou prorrogação do Congresso pode ser justificada”.
Juntaram-se a ele as senadoras Lisa Murkowski, do Alasca, e Susan Collins, do Maine, além do senador Rand Paul, do Kentucky.
As duas parlamentares contestaram a argumentação do governo de que um cessar-fogo provisório entre Washington e Teerã teria suspendido o prazo legal de 60 dias para que o Executivo solicite permissão ao Congresso para manter tropas em combate. A ausência de três senadores republicanos — Tommy Tuberville, Thom Tillis e John Cornyn — também contribuiu para o resultado.
Oposição interna e próximos passos
De acordo com informações do Times, esta foi a oitava tentativa dos democratas de restringir os poderes de guerra do presidente desde o início do conflito. O senador Tim Kaine, da Virgínia, líder do esforço, avaliou que “o movimento está avançando lentamente a nosso favor”, e argumentou que votos contrários vindos do próprio partido do presidente pesam sobre sua popularidade.
O único democrata a votar contra a medida foi John Fetterman, da Pensilvânia. A Câmara dos Representantes deve analisar proposta equivalente nos próximos dias — na semana passada, uma resolução semelhante terminou em empate após dois republicanos abandonarem a base governista.
Mesmo que a resolução seja aprovada por ambas as casas do Congresso, ela ainda precisaria sobreviver a um veto presidencial. Não sobreviveria.
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Comentários (1)
ISABELLE ALÉSSIO
20.05.2026 07:50👀