Rejeitado ao STF, Messias aparece ao lado de Lula em SP
Ministro da AGU foi ao evento como sinal de que presidente avalia reapresentar seu nome ao Supremo
Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União, nome indicado por — e rejeitado pelo Senado — ao Supremo Tribunal Federal, interrompeu as férias para acompanhar o presidente em um evento público realizado em São Paulo.
A presença do ministro ao lado de Lula, segundo a Folha, não foi casual: o presidente teria comunicado a aliados que avalia reapresentar a indicação de Messias à vaga no STF.
O histórico da indicação
O processo de indicação ao STF no Brasil exige que o nome escolhido pelo presidente da República seja aprovado pelo Senado Federal, em sabatina realizada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). A rejeição de um indicado representa derrota política para o Executivo e, em geral, obriga o presidente a recuar e buscar outro nome.
Ao levar Messias ao palco do evento, dedicado ao lançamento de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para taxistas e motoristas de aplicativo, Lula sinalizou publicamente que não descarta insistir na candidatura do ministro.
A presença foi interpretada como movimento deliberado de reafirmação do vínculo entre os dois, em um momento em que o governo busca recuperar popularidade com uma série de medidas econômicas.
Contexto político da reaproximação
O evento teve tom declaradamente eleitoral, com pedidos de voto a Lula e a deputados petistas feitos por oradores que antecederam o presidente no microfone. As ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), pré-candidatas ao Senado por São Paulo, também estavam no palco.
O ato integra uma sequência de iniciativas do governo para ampliar sua base de apoio popular em ano eleitoral. O pacote anunciado nas últimas semanas soma mais de R$ 173 bilhões em medidas como renegociação de dívidas, subsídio para gás de cozinha, crédito para caminhoneiros e reforço do Minha Casa, Minha Vida. O governo também revogou o imposto sobre compras internacionais de pequeno valor e anunciou subvenção para conter o preço dos combustíveis.
Lula vai insistir?
Lula ainda não confirmou publicamente a decisão de reenviar o nome de Messias ao Senado, mas tampouco descartou a possibilidade. A exposição do ministro ao lado do presidente — em um evento de grande visibilidade, com presença de lideranças políticas e cobertura da imprensa — funcionou, na prática, como um ensaio da reabilitação pública de sua indicação.
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