Javier Bardem acusa Hollywood de silenciar artistas pró-Palestina
Ator espanhol afirma que profissionais que tentam calar colegas por convicções políticas serão expostos publicamente
O ator Javier Bardem declarou, durante o Festival de Cannes, que figuras da indústria cinematográfica que pressionam ou retaliam colegas por manifestações de apoio à Palestina terão seus nomes revelados e enfrentarão repercussões sociais. A afirmação foi feita à margem da divulgação do filme The Beloved e reacende o debate sobre liberdade de expressão política em Hollywood.
Macarthismo pró ou contra Palestina?
Segundo a RollingStone Brasil, Bardem afirmou que o cenário atual representa uma inversão do que ocorria no passado. “Aqueles que elaboram as chamadas listas negras serão expostos”, declarou o ator. “Serão eles que sofrerão as consequências em nível público e social. Essa é uma grande mudança”.
Para ele, a nova geração de profissionais do setor tem papel central nessa transformação, por acompanhar conflitos em tempo real pelas redes sociais e demonstrar maior sensibilidade a questões humanitárias.
O espanhol reconheceu que o temor por represálias profissionais existe na indústria, mas afirmou não se deixar paralisar por ele. “Você precisa conseguir olhar para si mesmo no espelho”, disse, atribuindo à criação materna a base de suas escolhas.
Gaza e o debate sobre genocídio
De acordo com informações do festival, Bardem classificou o conflito em Gaza como genocídio e afirmou que quem justifica ou silencia diante das ações em curso assume uma posição. “Você pode lutar contra essa definição, tentar justificá-la ou explicá-la. Mas, se você a justifica com seu silêncio ou apoio, então é pró-genocídio”, declarou o ator.
O posicionamento de Bardem se soma ao de outros artistas que integram o movimento Film Workers for Palestine — grupo que inclui nomes como Olivia Colman, Mark Ruffalo, Tilda Swinton e Ayo Edebiri.
Segundo o ator, a iniciativa não tem caráter discriminatório contra indivíduos por origem ou crença, mas visa responsabilizar instituições e empresas apontadas como coniventes com a guerra e com a ocupação de territórios palestinos.
A atriz Susan Sarandon, que afirmou, meses antes, ter sido incluída em uma lista de boicote após defender um cessar-fogo em Gaza em 2023.
Israel rejeita as acusações de genocídio e sustenta que suas operações militares constituem resposta legítima ao ataque do grupo terrorista Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou em mais de 1.100 mortos e cerca de 250 pessoas sequestradas.
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