NASA encontra fungos indestrutíveis que podem sobreviver ao frio, radiação e poeira de Marte
Pesquisadores alertam que microrganismos terrestres podem comprometer buscas por vida extraterrestre em Marte.
Um fungo comum em solos e prédios antigos foi encontrado nas salas limpas da NASA e resistiu, em laboratório, a praticamente todas as condições do espaço profundo. A descoberta publicada em abril de 2026 não é apenas uma curiosidade científica: ela coloca em xeque décadas de protocolos de esterilização e levanta uma pergunta incômoda sobre as missões rumo a Marte.
O fungo que não deveria estar lá
O Aspergillus calidoustus é uma espécie amplamente conhecida na microbiologia terrestre. Aparece em filtros de ar, solos e edificações antigas, e pode causar infecções em humanos imunossuprimidos. O problema é que ele também foi encontrado exatamente onde não deveria estar: dentro das instalações de montagem de sondas espaciais da NASA, ambientes submetidos a protocolos extremos de controle.
Essas salas passam por processos rigorosos de esterilização que incluem filtragem intensa do ar, controle de temperatura e umidade, uso de roupas especiais pelos técnicos, limpeza química constante e irradiação com luz ultravioleta. Ainda assim, a própria agência reconhece que sondas podem sair dessas instalações carregando centenas de esporos por metro quadrado.

Como os pesquisadores testaram os limites da sobrevivência
A equipe liderada pelo pesquisador Kasthuri Venkateswaran do Jet Propulsion Laboratory simulou, em laboratório, as condições de uma viagem interplanetária real. O experimento expôs o fungo a um conjunto de fatores combinados que incluem pressão atmosférica extremamente baixa, temperaturas próximas de -60°C, poeira com composição similar ao solo marciano, radiação ultravioleta intensa e radiação ionizante espacial.
O Aspergillus calidoustus resistiu ao frio extremo, sobreviveu à baixa pressão, suportou altos níveis de radiação e continuou viável após exposição à poeira marciana simulada. Segundo os pesquisadores, o fungo só deixava de sobreviver quando frio prolongado e radiação pesada eram aplicados simultaneamente por períodos muito extensos. Nenhum fator isolado foi suficiente para eliminá-lo.
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As salas limpas funcionam como uma seleção natural involuntária
O estudo revela uma ironia perturbadora: ao eliminar os microrganismos mais frágeis, os ambientes esterilizados da NASA podem estar selecionando justamente os mais difíceis de destruir. Esse processo funciona como uma versão acelerada de evolução dentro dos próprios laboratórios espaciais.
Os fungos sobreviventes compartilham características que explicam sua resiliência:
- Formação de biofilmes altamente aderentes às superfícies
- Paredes celulares com estrutura reforçada
- Capacidade avançada de reparar DNA danificado por radiação
- Produção elevada de melanina, pigmento que age como armadura biológica absorvendo radiação ultravioleta
Estudos anteriores com o Aspergillus niger, espécie da mesma família, já haviam registrado resistência a raios X, partículas pesadas e radiação cósmica simulada. Na Estação Espacial Internacional, esses fungos chegaram a aumentar sua produção de melanina após exposição à radiação, reforçando ainda mais sua proteção natural.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Canal Top10 falando sobre a descoberta do fundo indestrutível que pode sobreviver em Marte.
O problema vai além de um fungo específico
Outro estudo, publicado no final de 2025, analisou amostras coletadas durante a montagem da sonda Phoenix, lançada a Marte em 2007. As amostras ficaram armazenadas por quase 20 anos antes de serem reavaliadas com tecnologias genéticas modernas. Os cientistas identificaram 26 espécies inéditas de bactérias, com alta capacidade de formar biofilmes, resistência a produtos de limpeza e mecanismos sofisticados de reparo de DNA.
O episódio da sonda israelense Beresheet, que caiu na Lua em 2019 carregando milhares de tardígrados desidratados e amostras de DNA humano sem comunicação prévia às agências regulatórias, escancarou as fragilidades das regras internacionais de proteção planetária. O Tratado do Espaço Exterior de 1967 determina, em seu Artigo 9º, que países devem evitar contaminar corpos celestes, mas as diretrizes seguem sendo voluntárias e sem força legal internacional rígida.
O maior risco não é infectar Marte, mas contaminar nossa própria descoberta
O cenário que mais preocupa os cientistas não é um fungo “colonizando” o planeta vermelho. O temor real é outro: microrganismos terrestres chegam a Marte, morrem e deixam fragmentos de DNA no ambiente. Anos depois, uma missão de retorno de amostras, como as conduzidas pelo rover Perseverance, recolhe esse material. O sinal biológico encontrado seria então confundido com evidência de vida extraterrestre. Seria o maior falso positivo da história da ciência.
Com missões tripuladas a Marte se aproximando rapidamente, o problema se torna ainda mais grave. Ao contrário de sondas, seres humanos carregam bilhões de bactérias, fungos e microrganismos da microbiota natural na pele, nos pulmões, no intestino e na boca. Relatórios publicados em 2025 alertaram que as políticas de proteção planetária precisam ser urgentemente atualizadas antes que o primeiro astronauta pise no planeta. O tempo para agir é agora, e a ciência já deu o aviso.
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