Mina de terras raras é encontrada a 300m de casas no Sul de Minas Gerais
Parte do poder público vê na mineração uma chance de consolidar Poços de Caldas como polo tecnológico
O avanço do projeto Colossus, da mineradora australiana Viridis, para exploração de terras raras em Poços de Caldas, no Sul de Minas, coloca em choque promessas bilionárias de desenvolvimento com o risco de transformar bairros inteiros em zona de sacrifício ambiental, alterando rotina, paisagem e segurança hídrica de cerca de 60 mil moradores.
Mineração de terras raras em Poços de Caldas pode virar bomba-relógio ambiental
O planalto de Poços de Caldas reúne argilas superficiais ricas em terras raras, o que atrai empresas globais interessadas em suprir a corrida por tecnologias “verdes”, como carros elétricos e turbinas eólicas.
Essa combinação de alto teor mineral e extração rasa torna a região alvo prioritário de investidores. O projeto Colossus prevê dezenas de anos de operação, movimentando milhões de toneladas de argila ao lado de 14 bairros.
A escala da mina e a proximidade com áreas residenciais elevam o conflito entre interesses econômicos e proteção da saúde pública.
Rotina de bairros pode ser engolida por caminhões, poeira e ruído constante pela exploração das terras raras
Moradores temem que ruas hoje usadas para escolas, hospitais e acesso a águas minerais se tornem vias dominadas por caminhões e máquinas pesadas.
Vibração, poeira fina e ruído podem afetar especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Organizações locais cobram estudos independentes de impacto ambiental e social, alegando que um único relatório da empresa não basta para avaliar o efeito de uma mina de grande porte ao lado de casas, creches e unidades de saúde.
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Crise da água à vista? Nascentes e lençol freático sob ameaça
A área é um importante repositório hídrico, com dezenas de nascentes que alimentam bairros da Zona Sul.
Alterações de cursos d’água, rebaixamento do lençol freático e uso de compostos à base de amônia na separação das terras raras levantam temor de contaminação e escassez.
Entidades ambientais e moradores alertam que, se algo der errado, o prejuízo pode ser irreversível para mananciais que hoje garantem abastecimento e qualidade de vida.
O que está em jogo para o futuro de Poços de Caldas?
O licenciamento da mina expõe dilemas que vão muito além de um único projeto, envolvendo água, ar, uso do solo e transparência.
A seguir, alguns pontos que definirão se a cidade ganhará desenvolvimento ou herança tóxica:
O que está em jogo para o futuro de Poços de Caldas
Promessas de empregos e impostos compensam o risco da exploração de terras rarsas para a cidade?
A Viridis promete investimentos altos, criação de empregos, aumento de tributos e instalação de laboratórios de extração e reciclagem de superímãs.
Parte do poder público vê na mineração uma chance de consolidar Poços de Caldas como polo tecnológico.
Para críticos, porém, sem regras duras de contrapartida social, infraestrutura e proteção ambiental, o saldo pode ser de lucros privados e danos públicos permanentes.
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