Banco do bispo Edir Macedo tenta esconder prejuízo milionário?
Embora tenha declarado lucros de 31 milhões de reais em 2025, o Digimais deixou de declarar 480 milhões de reais em créditos vencidos, segundo o 'Estadão'
O banco Digimais, do bispo Edir Macedo (foto), fez uma manobra com fundos de investimentos para esconder perdas milionárias de seu balanço, registrou O Estado de S.Paulo.
Embora tenha declarado lucros de 31 milhões de reais em 2025, o banco do fundador da Igreja Universal deixou de declarar pelo menos 480 milhões de reais em créditos vencidos.
A conta pode ser ainda maior, dado o saldo de investimentos de 3 bilhões de reais em fundos que sequer puderam ser auditados.
O valor, segundo o jornal, é equivalente a cerca de 75% do montante investido pelo Digimais em fundos.
Para peritos e agentes do mercado financeiro ouvidos pelo Estadão, os negócios da instituição financeira são de “alto risco regulatório”.
A manobra
Carteiras de crédito com altos números de calote do Digimais foram absorvidas por fundos de investimentos que têm o próprio banco como seu cotista.
Se tivessem sido lançadas integralmente no balanço do banco, as carteiras impactariam diretamente nos resultados do Digimais, que está à venda há mais de um ano.
No mercado financeiro, a operação é conhecida como “Zé com Zé”.
Como a legislação não determina que o dono de um fundo de investimento seja tornado público, o Digimais pode abrir um fundo e comprar seus próprios créditos, passando a impressão de que há terceiros interessados em investir na carteira.
Do ponto de vista das contas do banco, a manobra ajuda a melhorar a imagem da instituição, já que esconde as carteiras de crédito podres.
Digimais
Desconhecido do grande público, o Banco Digimais era chamado de Banco Renner até 2020, quando foi adquirido pelo pastor Edir Macedo e rebatizado.
Embora tenha crescido no setor de crédito consignado, a maior carteira do Digimais é a de financiamento de veículos, que representava cerca de 94% das operações do banco em 2021.
A venda das carteiras aos fundos fez o financiamento de veículos representar 52% da carteira de crédito da instituição do pastor da Universal.
Dados do Banco Central apontam que o Digimais encerrou 2025 com a quarta taxa mais alta de juros, de 2,97% ao mês e 41,07% ao ano.
Aldemir Bendine
Em 2020, Edir Macedo colocou pessoas ligadas à Igreja Universal no comando do Digimais.
O quadro, no entanto, foi trocado em 2025, quando o ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine assumiu a presidência da instituição.
Bendine foi condenado no âmbito da Operação Lava Jato por receber 3 milhões de reais em propinas da Odebrecht.
O processo foi anulado pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal.
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Comentários (2)
Magdalena Buzolin
18.05.2026 12:25Igrejas são monumentos de arrecadação dos fiéis e que na verdade engrossam as contas bancárias dos dirigentes. Vide o tamanho das Igrejas da Universal e o patrimônio dos “pastores”
Annie
18.05.2026 10:26Banco e igreja que vergonha para nós cristãos .