Japão, Reino Unido e Itália se juntam para criar caça de nova geração que deve voar na próxima década
Edgewing recebe o primeiro contrato internacional e o demonstrador britânico fica pronto em 2026 para voar no ano seguinte.
Três países com tradição aeronáutica consolidada resolveram unir projetos, fábricas e orçamentos em um único caça. O Global Combat Air Programme (GCAP) deixou de ser uma intenção política e em abril de 2026 ganhou seu primeiro contrato internacional: £686 milhões aplicados diretamente no desenvolvimento da aeronave que substituirá o Eurofighter Typhoon e o Mitsubishi F-2.
O que o contrato de £686 milhões muda no programa?
O valor, anunciado em 2 de abril de 2026, foi repassado pela GCAP Agency à Edgewing, joint venture formada por BAE Systems, Leonardo e Japan Aircraft Industrial Enhancement. É o primeiro contrato unificado do programa, encerrando a fase de contratos nacionais separados e criando uma única linha de engenharia entre os três sócios.
Na prática, isso significa que o design da fuselagem, os sistemas de missão e a arquitetura digital passam a ser conduzidos por uma equipe integrada, com centros de desenvolvimento na Inglaterra, Itália e Japão. O dinheiro banca as atividades de design e engenharia que vão transformar o conceito em um protótipo capaz de voar.
Os números do programa impressionam:
- £686 milhões: valor do primeiro contrato internacional, assinado em abril de 2026.
- 2035: prazo para o caça entrar em serviço nas forças aéreas dos três países.
- 2070: expectativa de vida útil do produto, segundo a Edgewing.
- 2027: ano do primeiro voo do demonstrador britânico, com montagem final em 2026.
Qual é o estágio atual do protótipo?
O demonstrador britânico, um jato tripulado supersônico e furtivo, já está com dois terços da estrutura construída. Fuselagem, asas e estabilizadores verticais tomaram forma, e os motores EJ200 do Eurofighter Typhoon foram escolhidos para acelerar os testes, reduzindo riscos técnicos na fase de validação.
A montagem final fica pronta ainda em 2026, e o primeiro voo está travado para 2027. A aeronave de teste não terá o cockpit de realidade virtual previsto para o modelo operacional, mas servirá para provar aerodinâmica, furtividade e integração de sensores antes que o projeto congelado vá para a linha de produção.
Na tabela abaixo, os marcos principais do GCAP:
🛩️ Edgewing — Linha do Tempo
Marcos de desenvolvimento · 2025 – 2035
| Marco | Previsão | Status |
|---|---|---|
|
Formalização da Edgewing
|
Jun 2025 | ✓ Concluído |
|
Primeiro contrato internacional
|
Abr 2026 | ✓ Concluído |
|
Montagem do demonstrador
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2026 | ⟳ Em andamento |
|
Primeiro voo do protótipo
|
2027 | ◎ Programado |
|
Entrada em serviço
|
2035 | ◎ Programado |
Por que o caça é chamado de sexta geração?
Diferente dos caças de quinta geração como o F-35, o GCAP foi desenhado para operar como um “quarterback” do campo de batalha. A aeronave tripulada comanda enxames de drones armados, processa dados de satélites e outros caças em tempo real, e dispara armas de energia direcionada, tudo isso com assinatura furtiva extrema e motores de ciclo adaptativo.
O programa também abrange sensores quânticos, guerra cibernética e mísseis hipersônicos. Cada país integrará seus próprios radares e armamentos, mas a fuselagem, o motor XFP30 e a arquitetura digital serão comuns. É a primeira vez que Japão, Reino Unido e Itália compartilham um projeto de defesa desse porte.
O acordo enfrenta tensões entre os sócios?
Sim. Em janeiro de 2026, o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, criticou publicamente o Reino Unido por reter tecnologias essenciais ao desenvolvimento conjunto. Ele classificou o sigilo britânico como “loucura” e afirmou que a falta de compartilhamento de dados entre aliados enfraquece o programa diante de adversários como Rússia e China.
Para pressionar, Crosetto ordenou que a italiana Leonardo abrisse por completo suas tecnologias aos parceiros. O Reino Unido não alterou sua postura, mas o contrato de abril mostra que as partes seguem trabalhando juntas, apesar do atrito. Outro ponto sensível é a pressão americana sobre Tóquio para que o Japão abandone o GCAP e compre o F-47, o que poderia desidratar o orçamento do programa trilateral.

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O GCAP vai mesmo decolar na próxima década?
O programa tem data, dinheiro, fábricas e vontade política. Os três governos criaram uma organização intergovernamental exclusiva, a GIGO, e a Edgewing já opera com força de trabalho nos três continentes. O demonstrador voa em 2027 e, se os testes forem bem-sucedidos, a fase de produção começa no início da década de 2030.
O risco real é o cronograma. Projetos de caças de nova geração costumam atrasar, e a dependência de tecnologias ainda em desenvolvimento, como inteligência artificial embarcada e armas de energia, pode empurrar a entrada em serviço para depois de 2035. A análise mais completa sobre os riscos do programa está disponível no portal do Ministério da Defesa do Reino Unido. Enquanto os motores não ligam, o GCAP já mudou a geopolítica da aviação militar: três nações que antes compravam caças prontos agora desenham o seu próprio.
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